Da Redação — O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, afirmou que a Voepass enviava informações falsas ao órgão regulador e chegou a informar reparos em aeronaves que, na prática, nunca eram realizados.
Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Faierstein revelou que fiscais determinavam a troca de peças, mas, ao retornarem para conferir, encontravam apenas a documentação informando que o serviço havia sido executado.
“Na prática, não tinha trocado nada”, afirmou.
O presidente da Anac admitiu ainda que a agência foi enganada pela companhia aérea.
As declarações foram dadas após a divulgação do relatório final do Cenipa sobre o acidente ocorrido em agosto de 2024, que matou 62 pessoas. A investigação apontou 15 fatores contribuintes para a tragédia, entre eles:
• Falhas recorrentes no sistema de degelo da aeronave;
• Cultura organizacional que normalizava desvios de segurança;
• Manutenções inadequadas e peças defeituosas;
• Omissão de falhas nos diários de bordo;
• Supervisão gerencial deficiente;
• Falhas na atuação da própria Anac, que não conseguiu impedir a continuidade das operações da empresa apesar dos sucessivos alertas.
Segundo o Cenipa, a empresa adotava uma cultura de informalidade, permitindo que aeronaves continuassem voando mesmo com problemas conhecidos.
A Voepass afirmou, em nota, que sempre adotou procedimentos sérios de segurança e capacitação ao longo de seus mais de 30 anos de atuação.










