Por Ricardo Antunes – A vice-governadora Priscila Krause (PSD) é a bola da vez para a Prefeitura do Recife. Ex-vereadora por três mandatos, ela é o plano único da governadora Raquel Lyra (PSD) para a capital daqui a dois anos. A classe política percebeu os sinais emitidos pela gestora recém-reeleita durante confraternização com aliados nesta semana.
Nas articulações para a disputa deste ano, Raquel chegou a abrir negociações com aliados para a retirada de Priscila de sua chapa. Ela voltou atrás no movimento após forte repercussão negativa, assegurando que o espaço da vice era inegociável. Desde então, ambas mantiveram a unidade e garantiram a reeleição em primeiro turno, no último dia 4.
Priscila surge como nome para disputar contra o desconhecido prefeito Victor Marques (PCdoB), ungido como vice de João Campos (PSB), adversário defenestrado por Raquel nas urnas. A governadora, inclusive, perdeu a disputa no Recife para o socialista por apenas 36 mil votos, quando se esperava uma vantagem mais larga.
João Campos apostava na capital pernambucana, seu reduto, onde foi prefeito por cinco anos, como mola propulsora de sua eleição, mas se deu muito mal. A curta margem foi revertida no interior, o que permitiu a Raquel uma vitória por mais de 440 mil votos de diferença.
A gestora adquiriu capital para bancar um nome à Prefeitura do Recife, que será o de Priscila. No entanto, não é uma disputa fácil. Há dois anos, Raquel ungiu Daniel Coelho, que vinha de duas derrotas no Recife (2012 e 2016) e de uma derrota na disputa para deputado federal (2022). Daniel, que neste ano foi novamente derrotado na disputa pela Câmara Federal, obteve apenas 3,2% dos votos no Recife em 2024, ficando em quarto lugar.
Naquela ocasião, João Campos se reelegeu com 78% dos votos, cacifando-se para a disputa estadual, na qual sucumbiu à planície política.
Priscila disputou no Recife contra o próprio Daniel em 2016. Pelo extinto DEM, ela ficou em quarto lugar, com 5%, e ele em terceiro, com 18%, pelo PSDB. Juntos, teriam ido ao segundo turno.
Naquele ano, a disputa ficou entre o reeleito Geraldo Júlio (PSB), hoje mentor de João Campos e figura que opera nos bastidores, e o ex-prefeito João Paulo (PT), atual deputado estadual reeleito.
Dez anos após aquela derrota, Priscila se reelegeu deputada estadual em 2018 e conquistou dois mandatos como vice-governadora, em 2022 e 2026. Retomar o projeto na capital pernambucana sempre foi um sonho nutrido por ela, mas as circunstâncias ainda dependerão da disputa nacional.
Com Raquel se declarando neutra em meio à agressiva polarização do eleitorado brasileiro, especialmente no Nordeste, uma candidatura majoritária no Recife poderá não contar com o apoio desejado e até prejudicar os planos da sucessão da própria Raquel em 2030.
Com ambições nacionais, a governadora sabe que não poderá repetir o fiasco de Daniel em 2024. Também sabe que não tem o capital político de Eduardo Campos, reeleito com 83% dos votos em 2010 e que, dois anos depois, ungiu Geraldo Julio para a Prefeitura do Recife, que foi vitorioso no primeiro turno. Ela dependeria de uma crise na esquerda que tumultuasse o processo e, ainda assim, precisaria furar a bolha da centro-direita para obter êxito. É um risco que pode lhe render voos mais altos. Se optar pelo feijão com arroz, terá o Senado como rumo em 2030, o que não seria de todo ruim.
É isso.










