Por Noelia Brito – Quando vejo o PSB convocar uma coletiva para repercutir uma reportagem que inventa um inquérito inexistente sobre um alegado “gabinete do ódio” no Palácio do Campo das Princesas, lembro do que vivi quando esse partido governava Pernambuco.
Naquele período, assessores do governo de então se reuniram em prédios públicos e se articularam por WhatsApp para adotar medidas contra mim por causa das reportagens que publiquei sobre os desvios de recursos das enchentes investigados na Operação Torrentes. Isso não é narrativa: está documentado em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, em depoimentos prestados à Polícia Federal e nos processos movidos pelo Ministério Público Federal.
No Processo nº 0897915-79.2017.4.05.8300, um assessor da Casa Militar declarou: “QUE, assim, a reunião convocada pelo Coronel (…) teve por objetivo reunir todas as pessoas mencionadas na mensagem a fim de adotar medidas judiciais contra (…) e contra a blogueira Noélia Brito.” As interceptações também registraram: “HNI fala de NOÉLIA BRITO, diz que ela bota pra foder, diz que ela tem uma raiva do governo ‘do caralho’ e diz que ela está detonando aquele fornecedor.” Os documentos são públicos.
Agora, sobre as acusações contra o atual governo, o Jornal do Commercio informou que o inquérito citado pela TV Record simplesmente não existe. Ainda assim, a emissora divulgou a informação, criando um factoide político contra a governadora Raquel Lyra justamente quando ela vive um momento de crescimento eleitoral.
Naquela época sofri perseguições, chantagens, processos, inquéritos forjados, intimidações, tentativas de silenciamento e até ameaças de morte. Não vi a TV Record nem muitas das vozes que hoje se dizem indignadas cobrarem providências contra quem realmente me perseguiu. Talvez tenham dificuldade em defender vítimas quando são mulheres.
Mas não acuso ninguém. Ao contrário de quem atribui fatos gravíssimos com base em um inquérito inexistente, deixo que os documentos, o Processo nº 0897915-79.2017.4.05.8300 e a história falem por si. Como costuma dizer Raquel Lyra: “quem disso usa disso cuida.”








