Por Ricardo Antunes – Bastou uma semana de más notícias para tumultuar o ambiente interno no PSB. Quem é mais versado sobre o partido confidencia que a crise é a maior já vista, desde o período da escolha de Paulo Câmara para a sucessão de Eduardo Campos, em 2014.
Com João Campos sendo ultrapassado em três pesquisas pela governadora Raquel Lyra (PSD), os versados socialistas apontam para uma necessária correção de rumos. Assim, tem início uma sigilosa operação para retirar a candidatura de Marília Arraes (PDT) ao Senado.
Com ela mantendo a liderança nas pesquisas com folga, tornou-se um perigo iminente. A avaliação é que uma eventual derrota de Campos e com ela vitoriosa quem assume a liderança da oposição e o protagonismo seria a então senadora. “Quatro anos depois ela seria candidata a sucessão de Raquel sem nem pensar no primo”, pontuam os defensores dessa tarde.
E com alguma razão.
A verdade é uma só. O PSB nunca engoliu Marília. A avaliação de personalista e destoante das pregações dos Campos permanece, mesmo com a aliança costurada por seu primo com vias à disputa esse ano.
Em março, perto do prazo de deixar a prefeitura, João Campos viu-se numa encruzilhada. Precisava manter o lulismo, mas não queria colocar Marília na majoritária. Como ela foi conversar com a governadora Raquel Lyra (PSD), e o papo rendeu, o socialista não teve outra forma. Teve que dar a segunda vaga na chapa para ela – a primeira já seria de Humberto Costa, para manter o PT e Lula num palanque único.
Só que a liderança de Marília até agora não se reverte em intenções votos para João, talvez muito em função de diversos atritos do passado. Vendo a diferença nas pesquisas que já foi de mais de 30 pontos ser reduzida, e agora com a governadora liderando, a ansiedade dos socialistas acabou.
O PSB não pode se sentir refém de Marília, mesmo que seja. Ele também não admite ser refém do presidente Lula, mesmo o sendo. E a crise agora ganha camadas profundas, com o risco de derrota em primeiro turno do outrora chamado de “príncipe”, que deixou uma prefeitura ávido por mais poder, e atabalhoado por querer queimar etapas.
O plano perfeito de João consistia em se eleger prefeito em 2024, governador em 2026 e presidente da República em 2030. Muita sede ao pote de um jovem de 32 anos que se vê com diversos tensionamentos e às caras com uma célebre expressão da política: faltou combinar esse plano mirabolante com os russos. No caso, o povo.











