Da Redação – Sem conseguir crescer nas pesquisas há três meses, o ex-prefeito João Campos (PSB) resolveu forçar a barra e pressionar o PSOL a retirar a candidatura do ex-vereador Ivan Moraes a governador. A estratégia foi denunciada nas redes sociais por integrantes do PSOL, entre eles a vereadora e ex-deputada estadual Jô Cavalcanti, após reunião do partido para discutir a plataforma de governo, ontem.
“A candidatura de Ivan Moraes ao Governo do Estado representa um projeto de esquerda construído pelo nosso partido e aprovado democraticamente pela Federação. Qualquer pressão para tirá-lo da disputa e acomodar interesses do PSB deve ser rejeitada. O PSOL não vai abrir mão da sua independência política ou aceitar intervenção em nome dos interesses de João Campos. Pernambuco precisa ter uma alternativa de esquerda nas urnas. Deixa o povo decidir”, disparou Jô, nas redes sociais.
O PSB ameaçou retirar apoio à candidatura da ex-deputada Manuela d’Ávila, que lidera as pesquisas para o Senado no Rio Grande do Sul, entre outras retaliações, caso a direção nacional do PSOL não retire a candidatura de Ivan Moraes. João Campos é presidente nacional do PSB, e avalia que com a atitude poderia ultrapassar a governadora Raquel Lyra (PSD) nas pesquisas.
Ivan tem pontuado entre um e quatro pontos na maioria dos institutos, e vem tentando ser uma terceira viagem à esquerda, com críticas tanto a Raquel quanto contra João Campos. A direção estadual resiste à ideia, pois avalia que a candidatura a governador é importante para a eleição do ativista Jones Manoel (PSOL) para deputado federal. O PSB nacional (leia-se o próprio João) deu um ultimato à direção nacional, que tem tentado, sem sucesso, convencer a estadual.
Os partidos têm até sábado (15) para oficializar todas as candidaturas e desistências. Diante da pressão socialista (diga-se, nada democrática), não está descartada uma intervenção nacional no diretório estadual do PSOL, o que levaria à retirada da candidatura de Ivan.
Tal estratégia não é novidade na história do PSB. Em 2018, o então governador Paulo Câmara articulou com o PT a retirada da pré-candidatura de Marília Arraes, que liderava as pesquisas para o governador. Com isso, o então socialista e hoje presidente do Banco do Nordeste foi reeleito, apesar de sua baixíssima aprovação. Curiosamente, Marília hoje é candidata a senadora na chapa do mesmo PSB que a prejudicou oito anos atrás. Vítima da armação, resta saber a opinião dela hoje sobre a articulação contra Ivan Moraes – com quem foi vereadora do Recife entre 2017 e 2018, ambos como oposição ao PSB.












