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Home Brasil

Putin ganha e fica no poder até 2030

Por Redação
17/03/2024 - 19:09
Putin em 2000 pela primeira vez e, agora, ficara poder pelo menos até 2030

Putin em 2000 pela primeira vez e, agora, ficara poder pelo menos até 2030

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Do G1 – Vladimir Putin venceu a eleição russa e se manterá no poder até 2030. A informação foi confirmada pela TV estatal Russia-24.

De acordo com a Comissão Eleitoral Central da Rússia, Putin teve cerca de 87% dos votos, com cerca de 60% dos distritos eleitorais apurados até por volta das 17h52 deste domingo (17). Este cenário já havia sido indicado por resultados de pesquisas de boca de urna divulgados logo após o encerramento da votação.

O favoritismo de Putin foi confirmado após três dias da votação que começou na sexta-feira (15) e terminou neste domingo por volta das 15h (horário de Brasília). Mais de 8 milhões de pessoas votaram online, segundo o órgão.

O atual presidente não tinha outros concorrentes com real chance de vitória. Isso porque os outros três candidatos, todos deputados, são considerados fantoches — eles votaram a favor da guerra na Ucrânia no Parlamento e já fizeram declarações públicas de apoio a Putin.

A eleição surge no contexto de uma repressão implacável que sufocou os meios de comunicação independentes e grupos de direitos humanos proeminentes. O mais feroz inimigo de Putin, Alexei Navalny, líder da oposição ao presidente russo, morreu em uma prisão no Ártico em fevereiro, e outros críticos estão na prisão ou no exílio.

Navalny foi homenageado neste terceiro dia de votação. Na capital russa, pessoas visitaram o túmulo do líder opositor morto e, sobre ele, colocaram um modelo da ficha de voto em que se lê o nome dele.

Foto : AFP
Votação em uma seção em Donetsk, na Ucrânia, controlada pela Rússia

Pelo menos meia dúzia de casos de vandalismo em locais de votação foram relatados na sexta (15) e no sábado (16), incluindo um bombardeio incendiário e pessoas derramando um líquido verde nas urnas. Em 2017, Navalny foi atacado por um agressor que lhe salpicou desinfetante verde na cara.

Yulia Navalnaya, a viúva de Alexei Navalny, participou de um protesto contra Putin neste domingo e votou na embaixada russa em Berlim.

Segundo a BBC, Navalnaya disse aos repórteres ter colocado o nome de Navalny na cédula de votação

Além dos protestos, Putin também enfrentou avanços ucranianos sobre a Rússia.

Durante os três dias de votação, a Ucrânia intensificou os bombardeios contra a Rússia e promoveu incursões em território russo.

Neste domingo, a Ucrânia lançou um ataque com drones contra Moscou. Foram 36 drones de longo alcance direcionados a oito regiões russas. Quatro deles foram tinham como alvo a capital russa.

Putin está no poder há 24 anos e é opresidente mais longevo da Rússia desde Josef Stalin, da época da União Soviética. Caso eleito, o que a imprensa internacional dá como certo, o atual presidente terá a chance de ultrapassar os quase 30 anos de Stalin no comando. Em 2020, Putin mudou a Constituição para poder ficar no cargo até 2036.

O peso desse longo mandato e a supressão completa das vozes eficazes da oposição interna dão a Putin uma mão muito forte – e talvez irrestrita.

Na prática, Putin não permite que opositores reais disputem eleições contra ele — foi o que aconteceu neste ano. Veículos de imprensa também foram banidos —inclusive o “Novaya Gazeta”, cujo fundador venceu um Nobel da Paz por causa do jornal.

A Promotoria do país avisou ainda que qualquer manifestação durante o período de votação é ilegal e está sujeita a punição. Na manhã da sexta, primeiro dia de votação, pouco depois da abertura das urnas, uma mulher foi presa após jogar tinta contra uma urna em um dos locais de votação em Moscou.

Ainda assim, a esposa de Alexei Navalny, Yulia Navalny, convocou um grande ato de protesto na capital russa no domingo.

Nas eleições atuais, havia outros dois candidatos “de verdade” originalmente:

  • Boris Nadezhdin, de centro-direita, e
  • Yekaterina Duntsova

Pomeranz afirma que na Rússia nem mesmo se diz que o regime é uma democracia, mas, sim, uma “democracia controlada”.

Os candidatos que permanecem nas cédulas, na prática, são aliados de Putin. São eles:

  • Nikolai Kharitonov: Deputado de 75 anos e candidato pelo Partido Comunista. As pesquisas mostram que ele tem cerca de 4% das intenções de voto.
  • Leonid Slutsky: Deputado de um partido nacionalista. Ele tem cerca de 4% das intenções de voto.
  • Vladislav Davankov: vice-presidente da Câmara de Deputados. Aparece com cerca de 5% das intenções de votos.

E a guerra na Ucrânia?

Foto: Oleksandr Ratushniak/ Reuters
Soldado ucraniano em front perto da cidade de Bakhmut, no Ucrânia, lança morteiro em direção à Rússia, em 15 de março de 2024.

Atualmente, o Exército russo ocupa pouco mais de 20% do território da Ucrânia. Urnas de votação para a eleição presidencial foram inclusive instaladas em algumas dessas áreas, que Putin reivindicou ter anexado.

Em uma delas, na região de Kherson, no sul, a Ucrânia bombardeou um dos locais de votação, segundo a agência de notícias estatal russa Tass.

Mesmo antes da campanha eleitoral, o presidente russo descrevia a guerra como uma espécie de batalha contra o Ocidente na qual a própria sobrevivência da Rússia está em jogo.

Em um discurso no mês passado, Putin acusou os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de tentarem trocar a Rússia por “um lugar dependente e decadente para que possam fazer o que quiserem”.

Na campanha eleitoral, ele tem afirmado que vai cumprir seus objetivos na Ucrânia.

Ele justifica a invasão do país vizinho, a partir de fevereiro de 2022, com os seguintes argumentos:

  • Era preciso invadir para proteger as pessoas de origem russa na região leste da Ucrânia;
  • O governo da Ucrânia era uma ameaça para a própria Rússia porque iria se juntar à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

 

Putin tem afirmado também que as forças russas estão em vantagem após o fracasso da contraofensiva ucraniana no ano passado, e que “mais cedo ou mais tarde”, tanto a Ucrânia como os países do Ocidente vão aceitar um acordo nos termos dele.

O presidente russo também tem elogiado as tropas na Ucrânia e prometeu torná-las a nova elite da Rússia.

Os russos comuns sabem pouco sobre os problemas militares, como o alto índice de baixas — a mídia estatal divulga apenas as conquistas.

E a economia?

Quando a Rússia atacou a Ucrânia, países do Ocidente cortaram relações econômicas e impuseram sanções a quem negociasse com os russos.

No entanto, as indústrias militares tornaram-se um motor de crescimento. Os pagamentos para centenas de milhares de pessoas ligados diretamente ou indiretamente com a guerra ajudaram a impulsionar a demanda do consumidor.

Além disso, a Rússia tem conseguido vender petróleo para alguns grandes consumidores, principalmente da Ásia.

A economia deve crescer 2,6% este ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). A inflação é prevista em mais de 7%, mas o desemprego está baixo.

Em sua campanha, Putin prometeu subsídios do governo para famílias jovens, especialmente com filhos, para comprar casas. Isso acelerou o setor de construção.

Ele também se comprometeu a investir mais em saúde, educação, ciência, cultura, esportes e em políticas contra a pobreza.

Algo diferente no ar

Alexei Navalny era o principal político de oposição na Rússia e a pessoa mais famosa que criticava Putin publicamente. Ele estava preso, cumprindo uma pena de 19 anos, condenado como terrorista, quando morreu em uma penitenciária na região ártica.

Outros líderes da oposição também receberam longas penas, comparáveis às dadas aos “inimigos do povo” durante o período de Stalin.

Poucos dias após o começo da invasão da Ucrânia, foi aprovada uma lei que tornava um crime qualquer crítica pública à guerra. A polícia começou a dispersar rapidamente reuniões não autorizadas. O número de prisões e julgamentos aumentou drasticamente, e penas de prisão prolongadas são mais comuns.

No entanto, algo está mudando, afirma a professora da USP Lenina Pomeranz.

A trajetória de Putin no poder

Foto: Alexei Druzhinin/AFP
Os presidentes da Rússia e dos EUA, Vladimir Putin (esq.) e Barack Obama, trocam olhar sério durante cumprimento na 11ª Cúpula do G-20, em Hangzhou, na China

Putin assumiu como líder tampão quando Boris Yeltsin renunciou, no dia 31 de dezembro de 1999. Ele foi eleito pela primeira vez em maio de 2000, e ficou dois mandatos no poder.

Então, em 2008, Dimitri Medvedev, um aliado, se tornou presidente, mas Putin manteve o poder no cargo de primeiro-ministro.

Como comparação, no período em que Putin esteve no poder, os EUA tiveram cinco presidentes: Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden.

As urnas em toda a Rússia serão fechadas na noite de domingo (17), e o resultado está previsto para sair já na segunda-feira (18).

Tags: EleiçõesRússia
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