Por Vinícius Sales – A governadora Raquel Lyra (PSD) mandou um recado para João Campos (PSB) sem precisar citar o nome do adversário. No segundo programa do guia eleitoral, que vai ao ar nesta segunda-feira (31), Raquel relembra sua trajetória profissional e solta uma frase com endereço político certo.
“Quando eu virei delegada, disseram que não era coisa de mulher. Passei num concurso pra procuradora sem furar fila e foi do mesmo jeito”, afirma. O “sem furar fila” remete à polêmica envolvendo um concurso para procurador judicial da Prefeitura do Recife.
Em dezembro de 2025, Lucas Vieira Silva, inicialmente classificado em 63º lugar na ampla concorrência, foi nomeado depois de conseguir ser incluído na lista de pessoas com deficiência (PCD), após apresentar diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O pedido foi feito quase três anos depois da realização da prova. E o fato ganhou as manchetes de todo o Brasil, causando um desgaste muito grande na imagem do ex-prefeito João Campos (PSB).
A área técnica da Procuradoria-Geral do Município havia se manifestado contra a mudança, mas o requerimento acabou acolhido. Lucas foi posteriormente nomeado pela gestão João Campos. No restante do guia, Raquel explora entregas de sua gestão, como a reforma do Hospital da Restauração, estradas, Pix Tênis, Mães de Pernambuco e investimentos em abastecimento de água.
O caso ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (31). O delegado-geral da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Monteiro Costa, pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Corregedoria do TJPE que investiguem a conduta do juiz Rildo Vieira da Silva, pai de Lucas Vieira. O magistrado já é alvo de uma apuração determinada pelo CNJ por ter anulado uma investigação sobre possíveis fraudes em contratos da Prefeitura do Recife, na Operação Barriga de Aluguel. Pouco mais de um mês depois dessa decisão, o filho do juiz foi nomeado procurador do município por João Campos. A nomeação acabou anulada após a forte repercussão negativa do caso.










