Por Noélia Brito – Em seu discurso após a vitória nas urnas, a governadora reeleita Raquel Lyra fez questão de agradecer aos jornalistas que acompanharam a campanha e reforçou um princípio que deveria ser inegociável em qualquer democracia: a liberdade de imprensa.
“Quanto mais a imprensa livre, mais o exercício da democracia”, afirmou Raquel, em uma declaração que ganha peso diante do ambiente de crescente pressão sobre jornalistas durante a campanha eleitoral. A fala foi registrada no vídeo e também repercutida pela imprensa pernambucana.
A mensagem é especialmente significativa porque imprensa livre não significa imprensa submissa a governos ou partidos. Significa garantir ao jornalista o direito de investigar, publicar, questionar autoridades, revelar informações de interesse público e preservar suas fontes — inclusive quando a reportagem desagrada aos poderosos.
Durante esta eleição, jornalistas e veículos de Pernambuco estiveram no centro de disputas judiciais envolvendo publicações e investigações. Um dos casos mais emblemáticos foi o do Bastidor.PE, que recorreu à Justiça para preservar o sigilo de suas fontes em uma investigação envolvendo cartazes contra Raquel. Outro que merece destaque é o Blog do Ricardo Antunes que teve seu perfil no Instagram suspenso por fazer críticas a decisões judiciais. Este perfil, assim como o Blog do Manoel Medeiros também foram alvos de censuras judiciais e de bloqueios da própria plataforma.
Raquel também lembrou o tio, Fernando Lyra. Em 1985, anunciou o fim da censura política e trabalhou pela retirada de mecanismos autoritários herdados da ditadura. O Senado registra que, como ministro, ele ajudou a ampliar a liberdade de manifestação na mídia e nas artes.
Por isso, a defesa feita pela governadora merece ser registrada: em tempos de censura, decisões judiciais que podem restringir o trabalho jornalístico e tentativas de intimidar quem investiga, defender a liberdade de imprensa é defender a própria democracia.
A eleição termina, mas o princípio permanece. Governos passam. Partidos passam. Mandatos passam. A imprensa livre precisa permanecer.
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