Por Vinícius Sales – Os ataques de caráter pessoal contra a governadora Raquel Lyra (PSD), que voltaram a ganhar espaço nas ruas do Recife neste domingo (30), não são uma novidade na trajetória política da pernambucana. Em 2022, quando disputava pela primeira vez o governo de Pernambuco, Raquel também foi alvo de uma campanha com cartazes que exploravam temas religiosos e buscavam atingir sua imagem junto ao eleitorado cristão.
Um dos materiais espalhados naquele período trazia uma fotografia de Raquel ao centro, cercada por frases com acusações relacionadas à sua atuação política e administrativa. Na parte inferior, o cartaz fazia um apelo direto aos eleitores: “Não se deixe enganar! A família cristã de verdade não vota em Raquel Lyra!”
Entre as mensagens utilizadas contra a então candidata estava a afirmação de que ela seria “ligada ao candomblé”. Outra dizia que Raquel teria sido a “primeira prefeita de PE a fechar igrejas de Caruaru na pandemia”. O material também afirmava que Raquel seria “contra presença de igrejas nos presídios” e associava integrantes de sua campanha à defesa da descriminalização das drogas. Uma das frases dizia: “Deputado e coordenador de campanha defende a legalização da maconha”.
As peças exploravam, portanto, temas ligados à religião, à família e a pautas de costumes para tentar desgastar a imagem da então candidata entre o eleitorado cristão. A imagem recuperada daquele período não apresenta, nas partes legíveis, elementos suficientes para estabelecer neste texto a autoria política da campanha.
O episódio de 2022 ganha novo contexto diante dos ataques registrados agora contra a governadora. Desta vez, cartazes espalhados pelas ruas do Recife passaram a explorar a morte de Fernando Lucena, marido de Raquel, com acusações de caráter pessoal.
Em um panfleto encontrado neste domingo (30), a governadora aparece acompanhada da frase “ela matou o marido para ganhar a eleição”. Em outra, sua imagem foi colocada ao lado das de Elize Matsunaga e Flordelis sob a expressão “matadoras de maridos”.
Abalada, Raquel publicou um vídeo nas redes sociais no qual pediu respeito à memória do marido, aos filhos e à família. “Pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites. Respeite minha família, respeitem meus filhos, respeitem quem não está mais aqui, respeitem a minha dor”, afirmou. A governadora registrou boletim de ocorrência nas polícias Federal e Civil. A coligação Pernambuco de Coração também informou que acionará o Ministério Público Eleitoral para que os novos ataques sejam investigados.












