Do UOL – O relator do caso Master no TCU (Tribunal de Contas da União) suspendeu a inspeção que havia determinado no Banco Central até que o plenário da corte decida sobre o tema. Em despacho publicado hoje, Jhonatan de Jesus diz que o caso ganhou “dimensão pública desproporcional” ao que chama de atividade corriqueira da corte de contas.
“Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do Plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria”, escreveu o ministro do TCU.
Como mostrou a coluna ontem, Jhonatan estava sendo criticado internamente pela ofensiva sobre o Banco Central, que descobriu a fraude no Master, e não sobre a instituição financeira de Daniel Vorcaro. “Nessa perspectiva, recebo a petição como embargos de declaração, aplicando-se subsidiariamente o Código de Processo Civil (CPC), notadamente os arts. 1.022 e 1.024, § 2º.

Atribuo efeito suspensivo aos presentes embargos, estritamente para sustar, até deliberação colegiada, a execução do comando da inspeção”, concluiu. As críticas ao ministro do TCU A ofensiva de Jhonatan de Jesus sobre o BC alarmou integrantes da própria corte, técnicos da auditoria e até o Palácio do Planalto.
O relator no TCU pretendia promover uma inspeção nos papéis que levaram à liquidação do Master. A impressão que se instalou em Brasília, porém, é a de que Jhonatan queria minar a liquidação do banco de Vorcaro —ou, no mínimo, atrasar a venda de seus ativos, o que serviria para quitar débitos com investidores lesados.
O Master usou fundos de pensão públicos sem rentabilidade e até laranjas como chefes de carteiras de crédito que, na prática, não valiam o que ele dizia valer. O banco ganhou projeção em Brasília pela ação de seu dono, Vorcaro, que rapidamente passou a circular entre políticos influentes do centrão e figuras proeminentes do Judiciário, cavando uma guerra de lobby com outras marcas privadas do mercado.
Jhonatan é ex-deputado federal, tem emendas sob investigação no Supremo e teve a indicação ao TCU avalizada pelo centrão —justamente o agrupamento onde Vorcaro andava com mais desenvoltura.









