Do Uol – Campeões do mundo ouvidos por Galvão Bueno apontaram que a conquista de uma Copa do Mundo passa menos por uma fórmula pronta e mais por fatores como união do elenco, força coletiva, preparação e capacidade de adaptação ao longo do torneio. Em conversa que reuniu diferentes gerações do futebol brasileiro, nomes como Ricardo Rocha, Kaká e Carlos Alberto Parreira defenderam que o sucesso em um Mundial depende de um conjunto de elementos dentro e fora de campo.
A importância do grupo apareceu como um dos pontos centrais do debate. Campeão do mundo em 1994, Ricardo Rocha afirmou que a individualidade só consegue aparecer quando sustentada por um elenco coeso e comprometido com um objetivo comum.
“Não se ganha Copa com um ou com dois, se ganha com o grupo. A nossa história vem muito da união do grupo.”
“E a individualidade, Galvão, aparece com a força do grupo.” – Ricardo Rocha, campeão mundial em 1994
A ideia de um coletivo forte também foi associada ao desempenho da seleção brasileira de 1970, frequentemente lembrada como uma das maiores equipes da história do futebol. Campeão daquele Mundial, Rivellino apontou que, além do talento individual, o time possuía diferentes alternativas para resolver partidas difíceis.
“Você falou de 70, né? Foi realmente uma seleção que encantou. E o coletivo era muito forte daquela seleção de 70.”
“O Pelé se não resolvia, o Jair resolvia. O Jair não resolvia, o Gérson resolvia. Mas essa qualidade que nós tínhamos, que hoje no futebol brasileiro nós perdemos a nossa essência, é isso. Mas cadê o que vai definir, o que vai resolver esse problema? E nós não temos esse jogador, infelizmente nós não temos esse jogador.” – Rivellino, campeão mundial em 1970
“Na avaliação do técnico campeão mundial em 1994, Carlos Alberto Parreira, o caminho até o título também envolve fatores externos ao campo, como o ambiente criado ao redor da seleção, o momento vivido pelo país e a pressão por resultados.”
“É o país, o sentimento, a filosofia, o povo, a imprensa, a religião, tudo influi um pouquinho.”
“A receita não tem. Não tem um catálogo, não tem. Eu acho que é o momento, é o bom senso. Eu, como trabalhei em cinco continentes, com seis seleções diferentes, cada uma é uma coisa diferente. E eu diria para você, é sempre muito complicado. Principalmente seleção brasileira, porque a expectativa sempre é a maior possível. Tem que ser campeão sempre. E se você não for, é complicado.” – Carlos Alberto Parreira, técnico campeão mundial em 1994
Já Kaká, campeão do mundo em 2002, destacou a montagem do grupo como etapa fundamental para uma campanha vencedora. Segundo o ex-meia, a escolha do elenco vai além dos atletas e envolve toda a comissão técnica e as pessoas que convivem com a delegação durante o torneio.
“Não tem receita para ganhar uma Copa do Mundo. A gente sabe muitos ingredientes que precisam ser feitos para você tentar ganhar uma Copa do Mundo. Eu começaria com a formação do elenco. E não falo do elenco só dos atletas, falo do elenco em geral, dos treinadores, da comissão técnica… da família toda, de todo o contexto que vai conviver ali durante esse período dos 50, 60 dias de Copa do Mundo.”
“Depois tudo desce a partir do elenco, dessa formação, dessas pessoas que vão estar ali. Eu incluo a preparação, que realmente é fundamental você fazer uma boa preparação para uma Copa do Mundo. E aí você ter as ferramentas e habilidade para ir lidando conforme as situações vão surgindo e aparecendo. Mas, se eu soubesse a receita, teria ganho três.” – Kaká, campeão mundial em 2002
Ricardo Rocha também relacionou o título ao amadurecimento de um ciclo e à forma como o time chega ao torneio, lembrando a passagem de 1990 para 1994. Ele citou ainda a importância de consistência defensiva e voltou a colocar o grupo como base para a individualidade aparecer.
“Não tem um antídoto certo, mas cada seleção tem suas histórias. A gente perde uma Copa em 90 para ganhar em 94. E dez jogadores daquela Copa de 90 estavam em 94. Já é um grupo unido, forte, determinado e sabendo o que quer de uma Copa do Mundo. Às vezes você tem uma grande seleção antes da Copa, chega na Copa tudo muda. Normalmente quem ganha a Copa não é o mesmo time que inicia.”
“Isso é dados: seleção que toma menos gol em Copa praticamente ganha o título. E outra coisa, tem um time forte. E a coesão, é grupo.” – Ricardo Rocha, campeão mundial em 1994












