Por Romero Falcão – Noves fora o ufanismo do clássico de Ary Barroso — e muito menos porque sou um velho latino-americano sem dinheiro no banco, que Belchior me perdoe — hoje torço pela Argentina, pelo que vejo dentro das quatro linhas.
Não me venham com a rivalidade entre brasileiros e hermanos, nem com o argumento de que eles podem se aproximar da Canarinha caso conquistem o tetracampeonato. Sei que o futebol é feito política: torna o torcedor, como o eleitor, infantil e irracional.
Hoje sou Argentina. E isso nada tem a ver com um confronto entre colonizados e colonizadores europeus. Não me interessa o ativismo extracampo. Sou Argentina pela garra, pela fibra, pela resiliência — palavra da moda —, pela força inquebrantável de lutar até o último minuto, até a última gota de suor e sangue.
Torço pela Argentina por dar uma caneta- bola entre as pernas- na “seleção” brasileira. Por nos ensinar com quantos corações cansados se disputa uma Copa do Mundo. Torço pela Argentina que honra sua camisa, seu povo e sua tenacidade, tanto no coletivo quanto no individual.
Torço pela Argentina porque ela tem um Messi. A simplicidade do gênio que pode ter tudo, mas não sente necessidade de ostentar nada. Torço pelo atleta de 39 anos, pela conversa íntima entre o menino e a bola, pelas jogadas improváveis que calçam chuteira de ouro , mas que deixam como legado o rosa quando a vida parece cinza.
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*Romero Falcão é cronista e poeta.









![Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado [da esq. p/ dir.]](https://ricardoantunes.net/wp-content/uploads/2026/05/a8gdasdsa78asd-120x86.jpg)
