Do UOL – Os ataques do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema ao Supremo Tribunal Federal surtiram o efeito esperado por ele e sua equipe.
Zema ganhou centenas de milhares de seguidores nas redes sociais e passou a aparecer nos grupos focais de pesquisa de sua equipe de marketing —e também nas dos rivais— como alguém a ser observado. Acendeu a luz amarela na centro-direita.
Pré-candidato que pior performava nas pesquisas de opinião mesmo tendo governado um dos três maiores colégios eleitorais do país por quase oito anos, Zema usou o STF e sua crise de imagem como catapulta.
Videozinhos com críticas ácidas e até insinuações criminosas contra integrantes do Supremo postados em suas redes acabaram viralizando, mas não só: irritaram ministros da corte, que morderam a isca e levaram o empresário ao noticiário.
Mais conhecido anteriormente nas mídias sociais por ter comido uma banana com casca para criticar a alta no preço dos alimentos, Zema foi alçado ao topo das buscas digitais depois que o ministro Gilmar Mendes pediu que ele fosse investigado por crime contra a honra dos integrantes do STF.
Numa era em que pouco importam as consequências legais, os likes comeram soltos. Zema surfou —e ainda surfa. No último fim de semana, lançou mais um filmete animado espezinhando os integrantes do STF, de olho no burburinho.
A tática surtiu efeito. Grupos de pesquisas qualitativas —aquelas em que segmentos específicos do eleitorado são selecionados e investigados à fundo, em grupos muito pequenos— começaram a mencionar não só o STF e o ex-governador mineiro, como a criticar o silêncio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Lula (PT) diante da crise reputacional do Supremo.
Em grupos de pesquisas qualitativas, investiga-se o sentimento do eleitor, não exatamente determinado candidato atrai percentual. E os eleitores antissistema que integram tanto as seleções focais de Zema como de alguns rivais passaram a queixar-se de que “os Bolsonaro só atacam o Supremo para beneficiar a própria família, não para ‘salvar o país'”; enquanto os que estão mais alinhados à esquerda perguntam quando “Lula vai aparecer para resolver o problema” do Supremo.
O movimento ainda é tímido para causar perplexidade em escala nacional, mas marqueteiros começam a achar que o passe de Zema, ao menos para vice, vai subir. E o Supremo que se cuide.









