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“Olé” na Polícia Federal foi último “truque” de Lula. Ele está preso e sua carreira política acabou

Por Ricardo Antunes
21/09/2019 - 16:19
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Por Ricardo Antunes

Todo mundo sabe que o ex-presidente Lula é um profissional de política há mais de 35 anos. Ele vive disso. No discurso negociado com a PF para que depois ele se entregasse ele botou fogo na militância que encenou uma farsa a não permitir a sua saída de carro no final da tarde. Foi um novo “olé “na PF mas  também seu  última truque. Com o ultimato dado pela PF,  em 40 minutos ele saiu sem qualquer dificuldade  e está preso. Sua carreira política acabou.

Ele pode sair da prisão em poucos dias mas o estrago em sua imagem está feito. As multidões não foram as ruas e lula ainda deve ser condenado em mais três processos. Ficha suja, não pode ser mais candidato e não deixou um “Plano B”  que possa ser “ungido” nas eleições presidenciais.

Lula zombou da justiça com um espetáculo de péssimo gosto. Leiam o artigo Diego Escosteguy em O Globo., de hoje, que o blog trás para você.  “Por mais que se possa compreender a preocupação do juiz Sergio Moro e da Polícia Federal em evitar confrontos ao prender Lula, a liberdade concedida ao ex-presidente para decidir quando e como se entregar resultou num deboche à Justiça. O ex-presidente ignorou o gesto de respeito conferido a ele por Moro.

Não se apresentou no horário determinado. Explorou politicamente a situação. Armou o que se qualificou como “resistência” – como se não vivêssemos num estado democrático de direito – enquanto havia uma ordem de prisão expedida contra ele. Decidiu que se entregaria em seus termos, como se, mesmo condenado mediante sob a égide de um devido processo legal, ainda estivesse acima da lei e da Justiça.

A patuscada culminou no comício deste sábado, um evento cuja própria existência desnuda o atraso civilizatório do Brasil. Nele, Lula, que já escarnecera da Justiça ao não se dirigir a Curitiba, esculhambou verbalmente procuradores da República, delegados, juízes, jornalistas. Distribuiu o ódio que tanto acusa em adversários reais e imaginários.

Em nenhum momento condenou os ataques de seus aliados e simpatizantes contra jornalistas – contra até a casa da presidente do Supremo Tribunal Federal. Não exortou seus seguidores a protestarem de modo legítimo e pacífico. A retórica agressiva e ressentida contra quem considera ser seus inimigos – retórica de ódio, apesar das flores ao final – açula paixões, contribuindo para a possibilidade de mais ataques, de mais violência.

Como previsto, e como feito em todas as ocasiões anteriores no decurso da Lava Jato, Lula vitimizou-se. A exemplo de outros populistas latino-americanos, fundamentou seu discurso no antagonismo ilusório com inimigos convenientes – muitos deles imaginários. Não assumiu responsabilidade por nada. Usou seu carisma político a serviço de seus próprios interesses, mascarando-os como interesses da classe trabalhadora e da esquerda brasileira. Muitos caíram na cascata.

Lula, o mais astuto político brasileiro vivo, conseguiu, mais uma vez, transformar um fato jurídico desfavorável (a prisão por corrupção e lavagem de dinheiro) num ato político favorável (o comício da vitimização do grande líder popular). Produziu as imagens e os vídeos que tanto queria. Lá estava ele, carregado por aliados e militantes rumo ao olimpo político de um mítico líder popular – filmado e fotogrado com a estética que melhor o retrate como um ser amado como um semideus.

Não se pode ignorar a força política e simbólica do comício deste sábado. Muitos farão o que Lula tanto queria: pensar e debater a prisão dele no terreno político, onde ela não pertence. Em vez de discutir, analisar e pensar a realidade do caso, os motivos da prisão, os aspectos jurídicos de um crime comum, alguns cairão na armadilha retórica de debater politicamente (de modo emocional) aquilo que é jurídico (de modo racional).

É claro que se pode discutir as consequências políticas e eleitorais da prisão de Lula. Mas o objetivo do discurso do ex-presidente foi transformar a condenação por crime comum num ato de perseguição política. Foi, no fundo, anular o mérito dos processos. Para que as pessoas não se lembrem de palavras como sítio, triplex, propina, Odebrecht, Palocci, OAS, petrolão, mensalão… Para que as pessoas lembrem-se, somente, das palavras dele, Lula, um mítico líder do Brasil, em cima de um palanque, coroado de carinho por todos aqueles que o adoram fanaticamente.

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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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