Por Pedro Nery, do Estadão – Essa realidade não chega a ser uma surpresa, porque São Paulo é a maior cidade do Brasil e, na cidade, tudo é superlativo. Então, São Paulo é a campeã de pessoas recebendo o Bolsa Família no País. Duas cidades no Brasil têm mais de 1 milhão de pessoas no Bolsa Família: São Paulo e Rio. São Paulo tem quase 2 milhões de pessoas no programa.
O Top 5 de cinco cidades em que mais se recebe o Bolsa é completado ainda por Fortaleza, Manaus e Salvador. Cada uma dessas cidades tem cerca de 700 mil e 750 mil pessoas no programa. O Bolsa Família é um benefício que é pago em qualquer parte do Brasil, desde que uma família tenha um nível de renda muito baixo, satisfazendo uma linha de pobreza de R$ 218 por pessoa. Naturalmente, em regiões com menor atividade econômica, com PIB mais fraco, mais pessoas vão receber esse pagamento.
Então, em São Paulo, a gente tem algo como 14%, 15% da população no Bolsa Família. Mas, em outras cidades, por exemplo, capitais do Nordeste, como Salvador ou mesmo Manaus, no Norte, a gente vai ter quase o dobro ou cerca do dobro, algo como 30% da população. A gente tem pobreza no Brasil mais concentrada em nível regional em alguns lugares, notadamente no Nordeste e na Amazônia, quando a gente pensa em desigualdade regional, mas pobreza existe também nas grandes metrópoles brasileiras. Tem muita gente no Bolsa Família em Brasília e em BH, que passa de várias cidades nordestinas em contingente de população no Bolsa Família.

Se a gente for olhar esse número em porcentual da população, aí a situação é bem diferente. A gente vai ter cidades muito pequenas e muito pobres liderando o ranking, como Japurá, no Amazonas; Maetinga, na Bahia; e Severiano Melo, no Rio Grande do Norte. Essa cidade, Severiano Melo, até um tempo atrás era, inclusive, a campeã do ranking.
Em todas essas cidades pequenas que eu citei, na verdade a proporção entre pessoas no Bolsa Família e população pode até ser maior do que 100%, porque existe uma controvérsia relevante sobre qual é a população do município. Esse é um tema muito importante no Brasil. Em várias cidades, a prefeitura está em pé de guerra com o IBGE ou com algum outro órgão em relação à contagem da população.
Severiano Melo é um caso extremo que eu tratei num livro que eu escrevi há dois anos: Extremos: um mapa para entender as desigualdades no Brasil, em que a gente via não só muita Bolsa Família, mas também uma realidade de colapso econômico. Era uma cidade muito dependente das plantações de castanha de caju, que tinham sido dizimadas pela peste da mosca-branca, que atacava especificamente os cajueiros e provocou um colapso na economia daquela região a partir da seca que teve no Nordeste na década passada.
Então, primeiro veio a seca e depois veio a peste. Essa mosca foi atrás dos cajus quando outras fontes secaram. Com o colapso da produção de castanha de caju, o Bolsa Família veio para ajudar essa população. O Brasil é um País que tem realidades muito díspares.
O Bolsa Família acolhe famílias muito pobres em várias regiões do interior, mas também em muitos lugares ricos do Brasil. Como a gente vive num País de muita desigualdade, (as cidades) convivem com PIB alto e Bolsa Família. E, no caso de São Paulo, mais de 1 milhão e meio de pessoas estão no Bolsa Família. São Paulo é a campeã do Bolsa Família no Brasil.











