*Por André Beltrão – Antônio Coelho vive hoje uma verdadeira sinuca de bico na Assembleia Legislativa de Pernambuco. A Lei Orçamentária Anual (LOA) foi encaminhada ainda em dezembro pela governadora Raquel Lyra. No entanto, o próprio Antônio — na condição de presidente da Comissão de Finanças — apresentou emenda reduzindo de 20% para 10% a margem de remanejamento do Executivo.
O detalhe que torna o cenário ainda mais emblemático: como já afirmou o presidente da Assembleia, Álvaro Porto, Antônio Coelho foi um dos principais arquitetos da peça orçamentária em discussão. Em outras palavras, ajudou a construir exatamente o impasse que hoje tenta atribuir a outros.
A incoerência política é evidente. Após anos de críticas duras à governadora — inclusive recentes —, Antônio e Miguel Coelho agora se aproximam do governo, após receberam uma grande fatia da máquina pública. Ao mesmo tempo passa a destilar ódio contra Álvaro Porto, antigo aliado que articulou para que ele fosse presidente da comissão de finanças, passando a atacá-lo publicamente.
O paradoxo não para aí. A LOA ficou cerca de quatro meses parada na Comissão de Finanças. E agora, justamente quem conduziu esse período de estagnação cobra urgência na votação.
O próprio Antônio Coelho reconheceu que o governo já possui orçamento em vigor, e que a disputa atual se resume ao percentual de remanejamento. Se é assim, o centro do impasse tem nome e sobrenome.
Nos bastidores, a leitura é direta: Antônio Coelho precisa agora desatar o nó que ele mesmo apertou para prestar contas dos cargos que abocanhou e para tentar emplacar o irmão candidato a senador.
*André Beltrão, jornalista e analista político.












