Por Igor Gielow – Após dizer que a “uma civilização inteira morrerá nesta noite” e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou novamente e aceitou nesta terça-feira (7) uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.
Em postagem na rede Truth Social, o americano disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra Hormuz durante a trégua —Teerã ainda não confirmou que o fará. “Esse será um cessar-fogo duplo”, escreveu Trump, visando tentando acalmar os ânimos dos países árabes sob ataque de Teerã no golfo Pérsico. Autoridades israelenses disseram à imprensa americana que também farão parte da trégua.
“O motivo pelo qual eu estou fazendo isso é que nós já atingimos e excedemos nossos objetivos militares”, afirmou o republicano, dizendo procurar um “acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã e paz no Oriente Médio” nesses 15 dias.
Ele disse que a contraproposta de dez pontos que o Irã enviou na segunda (6), que ele havia considerado insuficiente, será “uma base para negociar”. O texto não trata em detalhes do ponto central do ataque ao país, o programa nuclear iraniano e seus sistemas de mísseis balísticos.
Na prática, o prazo para que a teocracia reabra o estreito de Hormuz para o trânsito de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo foi adiado pela quinta vez. O presidente passou o dia sob fogo por sua frase com tintas genocidas, que foi criticada até por aliados.

O anúncio foi feito pouco menos de uma hora antes da expiração do prazo que Trump havia dado para que Teerã aceitasse a medida, sob pena de destruir pontes e usinas de energia do país “em quatro horas”, segundo havia dito na véspera.
O regime dos aiatolás havia rejeitado a proposta por sugerir uma trégua, e não uma solução para a guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel, que já dura mais de cinco semanas. Mas as conversas continuaram.
O Paquistão, país que centralizava a mediação das conversas indiretas, pediu mais duas semanas a Trump. Seu premiê, Shehbaz Sharif, sugeriu também um cessar-fogo e a reabertura de Hormuz no período.
A decisão reafirma a mística do acrônimo TACO, ou Trump Sempre Amarela nas iniciais em inglês. É um risco ocupacional da tendência do americano de repetir sua estratégia negocial na diplomacia: elevar ameaças e fazer imposições impossíveis ao adversário para ver o que consegue ganhar.
No fim de semana, o republicano publicou uma postagem inaudita para um presidente dos EUA, cheia de palavrões e xingando os iranianos de “malucos do c…”. Na segunda (6), afirmou que poderia destruir o Irã em uma noite e, nesta terça, pintou sua guerra com cores de um extermínio, numa frase tão malvista que até o papa Leão 14, primeiro pontífice americano, a condenou.
Só que a teocracia persa, que já demonstrou capacidade adaptativa enorme ante a decapitação a que foi submetida, não caiu na tática. Insistiu em que não pode negociar sob bombas e buscou negar que estivesse disposta a ceder, embora isso estivesse subentendido no curso de negociações mediadas pelo Paquistão.












