Por Fabiano Lana, do Estadão – Quando aceitou se lançar candidato à presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro, por óbvio, tinha total consciência do passivo Master que pesava contra sua trajetória. Acreditou que suas relações agora reveladas com o banqueiro Daniel Vorcaro não seriam um empecilho às suas ambições, assim como o que se sabia contra ele, como suspeitas de rachadinha ou ligações com milicianos do Rio de Janeiro. Mesmo assim, foi em frente, com o apoio dos irmãos e, em tese, do pai, Jair Bolsonaro.
Na cobiça de conquistarem novamente a presidência, os bolsonaros agiram para inviabilizar pretendentes, em tese, mais viáveis. Ridicularizaram quem cogitou alternativas fora da família para enfrentar um candidato forte como o presidente Lula.
Num primeiro momento, venceram as paradas. Apostaram que o antipetismo seria capaz de eleger qualquer candidato, mesmo os sem trajetória consistente, como Flávio, que chegou a liderar numericamente algumas pesquisas até na semana passada.
Foi soberba, erro de cálculo, irresponsabilidade ou burrice? Talvez uma mistura de tudo isso. Agora, frente às novas revelações, estão com um verdadeiro abacaxi na mão. As relações de Flávio com Vorcaro, assim como suas mentiras seguidas em negar os negócios com o banqueiro, podem inviabilizá-lo de vez.
Para relembrar: primeiro o senador disse que não tinha contato com o mafioso dono do Banco Master, depois garantiu que era apenas para pedir recursos para o filme sobre o pai, o famigerado Dark House, e não tinha conhecimento de que travava contato com um criminoso.
inalmente, sabemos que Flávio esteve com Vorcaro, na mansão do banqueiro, dias após sua libertação provisória, quando já era mais do que sabido que se tratava do arquiteto do maior escândalo financeiro da história do Brasil. Que certeza de impunidade moveu Flávio? Ele agiu sozinho? Seus irmãos e o pai conheciam a história toda? É uma cena de cinema o clima de funeral entre os aliados quando Flávio tenta explicar esse último encontro com o escroque, numa coletiva de imprensa.
“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”, afirma o versículo do provérbio bíblico. Dessa maneira, atropelando quem vinha pela frente, a família Bolsonaro buscou destruir as alternativas ao presidente Lula que não fossem do próprio clã (fora a ex-primeira-dama, Michelle, é claro). A ver se os demais candidatos do campo antipetista conseguem crescer nas próximas sondagens de opinião.
Com suas reviravoltas semanais, o Brasil é tão surpreendente que qualquer desfecho é possível. Se Flávio escapar dessa, será um exemplo singular de resiliência e reviravolta a marcar nossa conturbada história política. O fato é que a família Bolsonaro tem sabido manter todo um País como refém por tanto tempo. E ninguém sabe se libertar da chantagem que se coloca da seguinte maneira: “Ou somos nós ou é o PT novamente.”












