Da Redação – A governadora Raquel Lyra (PSD) cometeu, lá em abril, um erro de principiante que tem custado dor de cabeça nesta reta final. A falta de consenso sobre o nome que será indicado pela Federação União Progressista tem origem na falta de amplitude da base dela, confirmada pelas filiações que encerraram em abril.
Raquel manteve sua vice, Priscila Krause, em seu próprio partido, o PSD. Em 2022, ambas foram eleitas por siglas diferentes, que estavam federadas: a governadora era do PSDB e a vice do Cidadania. Ou seja, repetirão a estratégia de uma chapa puro sangue, mas há quatro anos a eleição de governador tinha cinco candidaturas, o que dificultava a formação de alianças. Agora, são apenas duas consideradas principais, e a base de Raquel se ampliou.
Além do próprio PSD e da Federação PSDB/Cidadania, a governadora tem gravitando com ela os federados PP e União Brasil, além de Podemos, Solidariedade, Avante, Novo e PRD – sem contar com o PL, que não deve coligar na majoritária. Porém, para as duas vagas do Senado, apenas uma deve ser oferecida ao punhado de aliados. A outra tende a ficar com o deputado federal Túlio Gadelha, que se filiou ao PSD. Ou, numa menor probabilidade, o senador sem votos Fernando Dueire disputaria a reeleição, ele que também se filiou ao PSD. Ou seja, três das quatro vagas majoritárias ficariam com um único partido, e a quarta ainda teria que ser escolhida a dedo por Raquel, que prefere o ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil) ao deputado Eduardo da Fonte (PP).

Puxando na história das eleições com dois senadores, nunca um governador em exercício bancou tantos nomes do próprio partido. Em 2002, o ex-governador Jarbas Vasconcelos (MDB) conquistou a reeleição tendo Mendonça Filho (PFL) como vice e lançando Marco Maciel (PFL) e Sérgio Guerra (PSDB) ao Senado, ambos eleitos. Em 2010, a chapa vitoriosa foi a reeleição de Eduardo Campos (PSB) com João Lyra Neto (PDT) como vice, Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro (PTB) para o Senado. Por fim, em 2018, Paulo Câmara (PSB) foi reeleito governador, tendo Luciana Santos (PCdoB) como vice, Humberto Costa (PT) e Jarbas Vasconcelos (PMDB) como senadores eleitos.
Em 1994, quando ainda não havia reeleição, Miguel Arraes (PSB) se elegeu governador, numa chapa puro sangue com Jorge Gomes (PSB). Naquele ano, ele lançou os senadores Roberto Freire (PPS) e Armando Monteiro Filho (PDT), mas apenas o primeiro se elegeu – o outro vitorioso foi Carlos Wilson (PSDB), que apoiava Gustavo Krause (PFL) para governador.
Apenas no longínquo ano de 1986, a chapa majoritária teve poucas siglas. Naquele ano, Miguel Arraes foi eleito governador pelo PMDB, mesmo partido de seu vice Carlos Wilson. Ele também arrastou os dois senadores, que foram Mansueto de Lavor (PMDB) e Antônio Farias (PMB). Ali ainda havia resquícios do bipartidarismo, quadro bem diferente do atual, onde a Justiça Eleitoral tem 30 partidos registrados no Brasil.






