Por Igor Maciel, do JCPE – Flávio Bolsonaro (PL) não virá mais a Pernambuco na quinta-feira (9) como estava previsto. As agendas no estado foram canceladas porque ele terá que ficar mais tempo nos EUA. Quando Flávio vier, não terá mais nenhum anúncio para fazer, porque todo mundo já sabe o rumo que o PL terá por aqui. Falta pouco mais de um mês para o início oficial da campanha eleitoral. O PL já atrasou demais seu planejamento e a pré-candidatura de Silvio Nascimento (PL) ao Senado é fato consumado.
Flávio virá para fazer uma foto e confirmar que tem um palanque por aqui. É isso.
A candidatura do PL ao Senado foi negociada em Brasília na última quarta-feira (1º), nas reuniões da cúpula pernambucana com a direção nacional. A definição é resultado de um acordo feito após uma conversa do PL estadual com o Palácio do Campos das Princesas também. E já foi paga em Pernambuco, na moeda mais antiga da política: participação no poder.
Moeda
O Diário Oficial de PE, na quarta-feira, mesmo dia em que aconteceu a reunião em Brasília, publicou a nomeação de 14 aliados do grupo dos irmãos Ferreira para cargos no governo estadual. Anderson Ferreira preside o PL em Pernambuco e André Ferreira (PL) comanda o principal mandato federal do grupo.
O reforço da tropa à máquina estadual, às vésperas da decisão partidária e no exato momento em que a cúpula da legenda discutia estratégia com a direção nacional, com a “ameaça” de lançar um candidato ao governo, é o tipo de movimento que os manuais chamam de sinalização e os bastidores chamam de adiantamento.
Como tudo já foi acertado e “pago”, Flávio era esperado apenas para a foto.
Dilema
Raquel Lyra (PSD) precisa dos votos que Flávio representa. Analistas estimam que o eleitorado antilulista pernambucano, algo entre 30% e 35% do total, já se consolidou em torno da governadora como o instrumento disponível para derrotar o “candidato de Lula (PT)”. O problema é a fotografia. Esta atrapalha.
João Campos (PSB) trabalha para colar na adversária o selo do bolsonarismo, aposta reforçada pelo vídeo em que o presidente declarou apoio ao ex-prefeito e pela imagem dos dois assistindo juntos ao jogo do Brasil no Alvorada. Raquel Lyra quer o eleitor de Flávio sem o abraço de Flávio. Flávio quer o palanque de Raquel Lyra sem ser tratado como “carga tóxica”. É um abraço que nenhum dos dois poderá dar em público, mas já aconteceu.
Vazio
A direita pernambucana chega a essa visita desidratada de candidaturas majoritárias próprias. Anderson Ferreira negociou espaço na chapa de Raquel, não teve boa conclusão e desistiu do Senado para disputar a Câmara. Gilson Machado trocou o PL pelo Podemos e mirou o mesmo destino na Câmara Federal.
O partido que se apresenta como a maior força da direita nacional terá em Pernambuco uma estratégia inteiramente proporcional, focada em eleger deputados. O que, no fim das contas, é o que dá poder financeiro às siglas.
Bastidores ouvidos pela Cena Política indicam que o desenho mais provável é um apoio informal à reeleição da governadora, sem palanque unificado e sem foto de convenção, preservando as aparências dos dois lados.
Vestígio
Em um ano de “rejeições cruzadas”, o apoio mais valioso de qualquer banda da polarização é o que não deixa vestígios. Flávio sairá do Recife com afagos, com promessas e com um acordo que só existirá enquanto ninguém precisar assiná-lo. E pronto. Será bom para todos.
Foto
Quando Flávio vier e a foto de seu palanque local for feita será com a chapa proporcional e com o pré-candidato ao Senado, escolhido para cumprir esse papel e absorver muitos dos votos que poderiam ficar distribuídos com candidatos de centro-direita, como Miguel Coelho (União) ou Eduardo da Fonte (PP).
O escolhido será Silvio Nascimento (PL), vereador de Caruaru, muito conhecido na direita bolsonarista desde quando foi presidente da Embratur durante o governo Bolsonaro. Ele é jornalista, foi apresentador de uma afiliada da Globo no interior e estava escalado para ser o candidato a governador do partido, até o PL entrar em acordo para lançá-lo senador.
Na prática, o PL de Pernambuco resolveu um problema (do palanque de Flávio), sem criar um novo problema (atrapalhando Raquel Lyra). Silvio encaixou perfeitamente nesse papel. A dúvida, agora, é quanto ele vai conseguir captar de votos bolsonaristas e quanto vai entregar a Flávio. É o que o “Zero um” deve querer ouvir quando estiver comendo bolo de rolo. Um dia, quando a foto local for remarcada.






