Da Redação – A elevada aprovação de um governo não é suficiente para assegurar uma vitória nas urnas caso falte capacidade de articulação política. A avaliação é do cientista político Adriano Oliveira, que, em suas redes sociais, alerta para os riscos de uma condução política deficiente na formação de alianças e da chapa majoritária.
A análise coincide com o momento vivido pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que, embora tenha 68% de aprovação, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana, enfrenta dificuldades para manter sua base política unida na preparação para a campanha à reeleição.
O levantamento mostra ainda que 23% dos pernambucanos desaprovam a gestão, enquanto 9% não souberam ou preferiram não responder. Em comparação com a pesquisa anterior, realizada em abril, a aprovação da governadora cresceu seis pontos percentuais, enquanto a desaprovação caiu 12 pontos.
“A falta de traquejo político pode levar governos bem avaliados e até favoritos a perder uma eleição? Sim. É uma hipótese que jamais deve ser descartada. A má condução da articulação política pode, por exemplo, reduzir o tempo de televisão do candidato favorito a tal ponto que sua mensagem perca força diante de um adversário competitivo, que nunca deve ser subestimado”, afirmou o cientista político em publicação na plataforma “X” (antigo Twitter).

Apesar dos índices favoráveis de aprovação, Raquel Lyra acumula desgastes nas articulações para a formação de sua chapa. Um dos principais reveses foi a perda do apoio da Federação PRD/Solidariedade, que rompeu com o Palácio do Campo das Princesas e oficializou apoio ao prefeito do Recife, João Campos (PSB). A movimentação reduziu o potencial de tempo de propaganda eleitoral da governadora e ampliou a vantagem do principal adversário na disputa pelas alianças partidárias.
Além disso, a governadora ainda enfrenta um impasse com a Federação União Progressista (PP/União Brasil). A indefinição sobre quem ocupará a vaga ao Senado — disputada pelo deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e pelo ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) — mantém o grupo dividido e pode ter reflexos diretos na composição da chapa e no tempo de rádio e televisão da campanha. Integrantes da federação já alertaram que, sem consenso, a governadora poderá perder parte do espaço no horário eleitoral gratuito.
Outro fator que vem ampliando a tensão entre os aliados é a demora da governadora em definir sua chapa majoritária. Nos bastidores, lideranças governistas demonstram insatisfação com a indefinição sobre a composição para o Senado, especialmente diante da disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho.
O impasse levou Raquel Lyra a transferir para as direções nacionais do PP e do União Brasil a decisão sobre qual nome representará a Federação União Progressista na chapa governista. Enquanto isso, aliados pressionam por uma definição para evitar novos desgastes e impedir que a demora resulte em novas perdas políticas.
Embora Adriano Oliveira não tenha citado nominalmente a governadora, sua avaliação é uma clara referência ao comportamento e estilo político da governadora, que possui forte “aversão” à política. Cabe lembrar que a gestora já pagou um alto preço pela atitude, visto sua tumultuada relação com a Assembleia Legislativa.










