Por Ricardo Antunes – Nem mesmo uma eventual eleição como governador de Pernambuco poderá mascarar o desempenho de João Campos como presidente nacional do PSB. Isso porque, mesmo que saia vencedor das urnas, ele tende a entregar o pior resultado desde que seu partido começou a ser comandado por sua família, em 1993.
Em recente levantamento do Poder360, tomando por base as últimas pesquisas de intenção de votos, João Campos figurou como o único candidato competitivo do PSB para os governos estaduais. Mesmo assim, ele está numericamente atrás da governadora Raquel Lyra (PSD) em todos os levantamentos publicados desde maio. Inclusive no Datafolha de julho, considerado na reportagem do Poder360, em que Raquel abriu 48% a 42% contra o socialista.
Desde 1993, quando o clã pernambucano passou a comandar o PSB nacionalmente, o partido nunca elegeu menos de dois governadores. O ex-governador Arraes, bisavô de João, filiou-se ao partido em 1990, após a eleição de cinco deputados federais por sua “chapinha” naquele ano. Quase a metade dos 11 deputados federais que o PSB elegeu naquele ano era de Pernambuco, sem governadores nem senadores. Assim, Arraes foi eleito presidente em 1993, sucedendo o carioca Jamil Haddad e iniciando uma dinastia que dura até hoje.
No ano seguinte, Arraes se elegeria novamente governador de Pernambuco, juntamente com João Capiberibe, no Amapá. O presidente nacional do PSB ampliaria a bancada federal para 15 deputados, dos quais sete eram pernambucanos.
Em 1998, Arraes não conseguiu a reeleição, mas o PSB repetiu o número de dois governadores eleitos, com 18 deputados federais (sendo oito pernambucanos). Apesar da disputa com o Rio de Janeiro, o velho cacique se manteve no comando, para eleger quatro governadores e 22 deputados federais (com quatro de Pernambuco) em 2002.
Com a morte de Arraes, em 2005, o PSB passou a ser comandado por seu neto, o ex-governador Eduardo Campos, pai de João. Ele se elegeu governador no ano seguinte, junto com outros dois correligionários. Também fez crescer a bancada na Câmara dos Deputados para 27 parlamentares.
Animal político, Eduardo entregou, em 2010, o melhor resultado da história do PSB em eleições gerais: seis governadores eleitos (incluindo ele próprio, reeleito com 83% dos votos válidos), quatro senadores e 35 deputados federais, dos quais cinco por Pernambuco.
Os números alçaram Eduardo politicamente à condição de presidenciável para 2014, mas um acidente aéreo fatal, em agosto daquele ano, impediu que chegasse às urnas. Ele foi substituído na presidência nacional do PSB pelo também pernambucano Carlos Siqueira, braço direito de seu avô, que entregou um resultado interessante: três governadores e 34 deputados federais eleitos (sendo oito de Pernambuco).
Nas últimas duas eleições gerais, o PSB manteve três governadores eleitos, mas decaiu em representatividade na Câmara. Em 2018, caiu para 32 deputados e, em 2022, para 14, o pior resultado desde a era Arraes.
João assumiu o comando do PSB em junho do ano passado, quando ainda era prefeito do Recife. Desde então, viu o partido perder os três estados que governava. Isso porque Renato Casagrande (Espírito Santo) e João Azevêdo (Paraíba) deixaram os postos para disputar o Senado, e seus sucessores concorrerão à reeleição pelo MDB e pelo PP, respectivamente. Já o governador do Maranhão, Carlos Brandão, desfiliou-se do PSB ainda no ano passado e entrou no MDB. Ele lançou o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como candidato à sucessão.
Sem candidatos competitivos ao Executivo estadual, além dele próprio, resta a João Campos entregar um resultado melhor na Câmara dos Deputados. Mesmo porque são necessários 13 parlamentares para ter acesso ao fundo partidário, e há incerteza sobre se o PSB ultrapassará esse número. Até mesmo Pernambuco, que nos últimos quatro pleitos elegeu, no mínimo, cinco deputados federais, corre o risco de não repetir a façanha.
Diante dos números, o ex-prefeito, que completou um ano à frente da sigla, pode entregar o pior resultado desde a eleição de 1990, a última antes da era Arraes-Campos no PSB. Mesmo que vença o Executivo estadual, será a menor quantidade de governadores e ainda um dos menores desempenhos na Câmara Federal, comparado às disputas de 2022 (14 eleitos), 1994 (15 deputados federais) e 1998 (18 parlamentares).











