Do Poder360 – A 3 dias do 2º turno da eleição, pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta 5ª feira (22.out.2026), mostra que as intenções de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL) oscilaram 1 ponto percentual para baixo em 3 dias, enquanto as do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançaram na mesma proporção. Agora, o candidato do PL tem 51% dos votos válidos, ante 49% do petista. Essas variações foram dentro da margem de erro do levantamento, o que significa que os candidatos podem estar no mesmo lugar, em empate técnico.
A pesquisa foi realizada de 19 a 21 de outubro, com 4.000 entrevistas e margem de erro de 1,6 ponto percentual.
O estudo capta os impactos dos desdobramentos políticos da última semana, que incluem a entrevista de Roberta Luchsinger à CNN, na noite de sábado (17.out), com críticas a Lula, e o debate entre os 2 candidatos, realizado pela Band no domingo (18.out). Capta também uma onda de propagandas negativas de Lula contra Flávio nas redes socias, bem como o disparo do governo federal de milhões de mensagens via WhatsApp para beneficiários do Bolsa Família e de outros programas sociais.

Depois do 1º turno de 4 de outubro, Flávio saiu à frente com 6 pontos percentuais de vantagem na 1ª pesquisa PoderData/Aya para esta fase da campanha. Na sequência, Lula avançou e a distância entre eles caiu para zero, com cada um marcando 50% dos votos válidos. Agora, Flávio mantém a dianteira registrada na rodada anterior, realizada de 16 a 18 de outubro, com 2 pontos percentuais de vantagem sobre Lula. Desde o final do 1º turno, o petista nunca esteve à frente de Flávio nas pesquisas PoderData/Aya.
No 1º turno das eleições, Flávio teve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%. A vantagem do senador sobre o petista havia sido de 1,87 ponto percentual nos votos válidos computados nas urnas.
ANÁLISE
Faltam 3 dias para o 2º turno. Lula parece ter encontrado um obstáculo difícil de superar: a rejeição ao próprio nome. O PoderData/Aya mostra o presidente tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, mas numericamente atrás de novo. O petista nunca conseguiu ficar à frente do senador do PL nesta fase da campanha.
Lula conseguiu reagir logo depois do 1º turno, quando tinha desvantagem de 6 pontos percentuais na pesquisa com a mobilização das ruas, a ofensiva digital, o uso da máquina federal e promessas que parecem desconectadas da realidade (por exemplo, um Pix de R$ 5.000 para MEIs). O canal Exército de Lula no WhatsApp ultrapassou 7 milhões de seguidores nesta semana. A campanha está em ritmo máximo. Mas a recuperação parece ter encontrado um teto. O petista se aproxima de Flávio sem conseguir ultrapassá-lo.
O dado mais revelador talvez esteja na firmeza do eleitorado. Entre os que declaram voto em Flávio, 97% dizem que não mudarão de candidato. Entre os de Lula, são 94%. No total, apenas 6% consideram a possibilidade de trocar de voto até domingo.
O debate na “Band” no último domingo não parece ter alterado esse cenário. Os candidatos preferiram desqualificar um ao outro e evitar discutir propostas. A entrevista de Roberta Luchsinger perdeu força, e a disputa agora gira em torno de pedidos retóricos de quebra de sigilo. É uma guerra política que alimenta as campanhas, mas pouco ajuda a conquistar novos votos.
O problema para os 2 candidatos é que a campanha de cada 1 deles está chegando ao limite das estratégias usadas para atrair eleitores que ainda não decidiram em quem votar.
Não é possível cravar o resultado. Só que todas as pesquisas têm sido consistentes em mostrar Flávio sempre um pouco à frente de Lula, ainda que numericamente e dentro da margem de erro. É uma tendência.
Há que considerar também que a imensa maioria das empresas de pesquisa não conseguiram captar toda a intenção de voto no 1º turno. O PoderData/Aya, por exemplo, fez uma pesquisa durante 3 dias, começando a 5 dias da 1ª rodada da eleição. No caso de Lula, acertou na mosca: 45%. Já para Flávio, o percentual apurado (que estava em alta), ficou em 43%. Só que nos 5 dias finais o senador acabou ganhando mais 4 pontos e terminou com 47%.
Não é impossível que o voto mais reservado dos eleitores de direita esteja novamente escondido e não perceptível pelas pesquisas.
Tudo considerado, deve-se levar em conta que 1) é exíguo o tempo para uma virada de Lula sobre Flávio; 2) há poucos eleitores dispostos a mudar de candidato e 3) o comparecimento no domingo pode fazer a diferença.












