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Home Justiça

Flávio presta depoimento por escrito à PF em investigação de calúnia contra Lula

Por Redação
28/07/2026 - 14:00
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Da CNN – A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregou por escrito o depoimento sobre o suposto episódio de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por meio de nota, os advogados negaram que houve crime e alegaram que ocorreram comentários dentro do debate político.

“Os advogados sustentam que as manifestações atribuídas ao senador se inserem no contexto do debate político e dizem respeito a posicionamentos públicos e afinidades políticas amplamente discutidos no cenário nacional e internacional.”

A PF (Polícia Federal) irá analisar o conteúdo entregue pelo pré-candidato do PL (Partido Liberal) à sucessão presidencial para decidir se fará novas diligências policiais. Com a entrega do posicionamento, o depoimento que estava marcado para hoje, às 14h, foi cancelado.

A investigação nasceu a partir de postagem nas redes sociais em janeiro depois da prisão de Nicolás Maduro. Flávio comparou Lula ao venezuelano e escreveu que Lula “será delatado”. Na sequência, citou uma série de crimes.

Para a Polícia Federal, Flávio atribuiu ao presidente brasileiro crimes como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e apoio a terroristas.

Diferentes alvos na postagem

Os advogados de Flávio argumentaram que a postagem geradora do pedido de investigação tinha uma mensagem para Lula e outra para Maduro. A defesa ressalta que a primeira frase era: “Lula será delatado”.

Na sequência, foi dado uma linha de espaço para então ser escrito: “É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”

De acordo com o depoimento, a primeira frase continha observações em relação a Lula. A linha deixada como espaço teria sido incluída no texto para indicar uma mudança de endereço na mensagem e então foram feitos comentários atribuindo crimes a Maduro.

Lula não se sentiu ofendido

O depoimento encaminhado pela defesa de Flávio ressalta que o pedido de investigação partiu de terceiros – a deputada Dandara (PT-MG). Os advogados argumentam que este fato demonstra que Lula não se sentiu ofendido. “Fosse a publicação realmente ofensiva, não seria necessário que um terceiro tomasse as dores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, alega trecho do depoimento entregue à PF.

Na sequência, a defesa do senador informa que Lula não tomou nenhuma atitude e sugere que esta falta de ação do petista demonstra não haver sentimento de que ter sido caluniado. “Fosse a postagem efetivamente aviltante, o próprio mandatário nacional teria requerido o início da investigação. Mas, não foi o que ocorreu”, continua o depoimento entregue por escrito.

Flávio pede para depor

A defesa de Flávio havia se queixado de que o senador não tinha sido ouvido durante a investigação conduzida pela PF e solicitou que ele prestasse depoimento.

Moraes ressaltou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou “pelo retorno dos autos à Polícia Federal a fim de que seja realizada a oitiva do investigado”.

Agora que o depoimento foi entregue, cabe à PGR analisar o caso. Ela poderá oferecer denúncia, pedir novas diligências ou defender o arquivamento da investigação.

A defesa de Flávio também divulgou nota sobre o inquérito e negou que o cliente praticou calúnia.

Confira a íntegra da nota:

A defesa do senador Flávio Bolsonaro protocolou hoje, na Polícia Federal, no Inquérito nº 5.045/DF, esclarecimentos por escrito que demonstram não haver crime algum na publicação investigada. Nela, foram compartilhadas duas notícias verdadeiras, seguidas de dois comentários separados e independentes entre si. O primeiro era apenas uma previsão sobre algo que poderia ocorrer no futuro, sem atribuir ao presidente da República nenhum fato concreto. O segundo se referia a Nicolás Maduro e apenas repetia as acusações que a Justiça dos Estados Unidos lhe imputa formalmente.

A calúnia, segundo o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, exige a atribuição de um fato específico e falso — o que não ocorreu no caso.

A defesa ressalta, ainda, que o inquérito originário não foi instaurado mediante representação do suposto ofendido, mas a requerimento de terceiro, e que o presidente da República sequer foi ouvido no caso, o que evidencia a fragilidade da investigação.

Todos os pedidos de prova formulados pela defesa — destinados a demonstrar a notoriedade do conteúdo da postagem e da relação política entre Lula e Maduro — foram negados pela Polícia Federal. Diante da negativa, o inquérito se resume a capa e contracapa, sem nenhuma prova.

Os advogados sustentam que as manifestações atribuídas ao senador se inserem no contexto do debate político e dizem respeito a posicionamentos públicos e afinidades políticas amplamente discutidos no cenário nacional e internacional. Argumentam, assim, que estabelecer comparações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o venezuelano Nicolás Maduro, no âmbito da crítica política, não configura calúnia.

Para a defesa, a liberdade de expressão constitui um dos pilares do Estado Democrático de Direito e protege, por sua própria natureza, manifestações contundentes, críticas severas e discursos de natureza política, especialmente quando dirigidos a agentes públicos e autoridades.

Flávio Bolsonaro reafirma sua confiança nas instituições e, ao mesmo tempo, manifesta preocupação com iniciativas que buscam judicializar o embate político e impor restrições indevidas ao exercício da liberdade de expressão assegurada pela Constituição Federal.

Tags: Flávio BolsonaroJustiçaLulaPolícia Federal
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