Por Ricardo Antunes – Em todo lugar, a Polícia Federal prende quem rouba e quem comete crimes quando é demandada pela Justiça. Não é o caso de Pernambuco, onde João Guilherme Ferraz, advogado e ex-secretário de Geraldo Júlio, tem um mandado de prisão desde o dia 4 de setembro. Escondido por seu advogado, Ademar Rigueira, em lugar incerto e não sabido, ele está livre para, no próximo domingo, votar no seu candidato, João Campos (PSB), e rir da cara de todos nós.
O ex-prefeito Geraldo Júlio e o ex-governador Paulo Câmara são mais duas presenças confirmadas no dia da democracia. O caso não é pequeno. João Guilherme de Godoy Ferraz foi secretário de Governo e Participação Social e aparece no centro da Operação Check-in, da Polícia Federal.
A investigação mira suspeitas de pagamento de propina em contratos da Prefeitura do Recife com a Pernambuco Conservadora. Só em 2020, a empresa recebeu cerca de R$ 25,7 milhões dos cofres municipais, sendo aproximadamente R$ 17 milhões em recursos do SUS.
Foi justamente no rastro desses contratos que a Polícia Federal encontrou oito canhotos de cheques. No relatório da investigação, a PF aponta elementos que associam os pagamentos ao esquema apurado e indica João Guilherme como possível beneficiário dos valores.
Os cheques teriam sido sacados por Deyvid Alexandre de Lima Souza, apontado como ligado ao empresário Paulo Correia Pinto Filho, fundador da Pernambuco Conservadora. A história começou a ser puxada pela Operação Firenze e depois desembocou na Check-in. A PF passou a investigar a suspeita de que dinheiro de empresas contratadas pela gestão municipal teria servido para o pagamento de vantagem indevida a integrantes do alto escalão da Prefeitura.
João Guilherme, aliás, não é nome novo em investigações envolvendo a gestão socialista no Recife. Ele também já apareceu em apurações como a Operação Apneia, sobre a compra de respiradores durante a pandemia, e a Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público de Pernambuco.










