Do Estadão – O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) registrou prejuízo líquido de R$ 220 milhões nas operações continuadas no terceiro trimestre desse ano, revertendo o lucro de R$ 142 milhões visto em igual período do ano passado. Apesar do resultado negativo, a companhia conseguiu melhorar a rentabilidade operacional com cortes de despesas e a priorização de negócios mais rentáveis.
A comparação do lucro, porém, é afetada por um crédito tributário extraordinário de R$ 418 milhões reconhecido no terceiro trimestre de 2025. Sem esse efeito, o prejuízo das operações continuadas teria recuado 20,3% na comparação anual.
Incluindo as operações descontinuadas, o prejuízo consolidado chegou a R$ 731 milhões, ante lucro de R$ 134 milhões um ano antes. Desse total, R$ 511 milhões vieram das operações descontinuadas, principalmente por uma provisão de R$ 467 milhões relacionada à arbitragem com a Casas Bahia (BHIA3).

Por outro lado, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 16,9%, para R$ 482 milhões, com expansão de 2,7 pontos percentuais na margem, para 11,7%. A margem bruta avançou de 27,6% para 30,7%, favorecida pela saída de negócios menos rentáveis e por mudanças na sistemática do ICMS.
O GPA já capturou R$ 365 milhões em redução de despesas em 2026, atingindo 88% da meta anual. As economias vieram principalmente de cortes de pessoal, renegociação de contratos e ganhos de eficiência em tecnologia e logística.
A recuperação das margens, contudo, ainda não chegou às vendas. A receita líquida recuou 9,6%, para R$ 4,1 bilhões, enquanto as vendas mesmas lojas caíram 1,4%, pressionadas por dificuldades de abastecimento e pelo consumo mais fraco.
“O nosso grande desafio é voltar a crescer a receita”, afirmou o presidente do GPA, Alexandre Santoro, em entrevista a Broadcast. Segundo ele, a companhia ainda tem espaço para ganhar eficiência, mas ainda precisa recuperar participação de mercado.










