Por Roseann Kennedy e Eduardo Barretto do Estadão – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que a Justiça de Pernambuco apure suposta violação disciplinar do juiz Rildo Vieira, suspeito de arquivar uma investigação contra a Prefeitura do Recife poucas horas após assumir o processo e de ter o filho nomeado no município um mês depois.
Procurado, o Tribunal de Justiça de Pernambuco disse que ainda não foi notificado da decisão. O juiz não respondeu. O espaço continua aberto.
O CNJ foi acionado pelo candidato a deputado estadual em Pernambuco Manoel Medeiros (Novo). Conforme a representação, no final de 2025 Rildo Vieira levou poucas horas para arquivar uma investigação do Ministério Público estadual sobre uma contratação de R$ 200 milhões pela Prefeitura do Recife, no âmbito da Operação Barriga de Aluguel.
A investigação apontava fraudes em licitações da prefeitura para beneficiar empresas de engenharia. Segundo o MP, um grupo de empresários adotava a “barriga de aluguel”, uma “estratégia criminosa que milita contra a obtenção de contratações mais vantajosas para o ente público”.
Ainda de acordo com o processo levado ao CNJ, o magistrado tinha um conflito de interesses no caso porque seu filho, Lucas Vieira, foi nomeado para o cargo de procurador-geral do Recife cerca de um mês após o juiz anular a investigação contra a prefeitura.
A nomeação foi cancelada pelo então prefeito, João Campos (PSB), depois que veio a público que Lucas Vieira apresentou o laudo de pessoa com deficiência apenas três anos após o concurso, o que o fez passar da 63ª para a 1ª posição.
Na decisão, o corregedor-nacional de Justiça, Mauro Campbell, ressaltou que o juiz não rebateu diversas acusações da representação.
“O magistrado absteve-se de refutar a tese de que haveria descumprido expressamente o Código de Ética da Magistratura ao frustrar pretensa transparência e celeridade processual”, escreveu o corregedor, que mandou o caso à Justiça estadual na última semana.










