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Home Justiça

Mensagens revelam propina do PCC a policiais em São Paulo

Por Danilo Duarte
23/07/2026 - 08:44
A Operação Janus investiga a atuação de operadores financeiros em benefício do PCC.

A Operação Janus investiga a atuação de operadores financeiros em benefício do PCC.

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Do Metrópoles – Pelo menos quatro delegacias de São Paulo foram citadas em conversas de operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre supostos pagamentos de propina, de acordo com representação do Ministério Público do Estado (MPSP). Mensagens trocadas entre os criminosos indicam pagamentos ao 13° Distrito Policial (Casa Verde), ao 39° Distrito Policial (Vila Gustavo), ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e a uma Seccional da Polícia Civil para proteger esquema de lavagem de dinheiro da facção.

O MPSP deflagrou, na manhã desta terça-feira (21/7), a Operação Janus para desarticular rede suspeita de lavar dinheiro para o crime organizado. A investigação apontou a existência de um “banco paralelo” operado por criminosos para ocultar e dar aparência de legalidade ao dinheiro oriundo do crime. Até o momento, 11 suspeitos foram presos.

Bruno Ramos Fernandes, acusado de ser um dos responsáveis por viabilizar o fluxo de valores do “banco paralelo”, foi um dos capturados. Em uma troca de mensagens com Robson Martins de Souza, apontado como uma das figuras centrais do esquema, os criminosos trataram sobre a necessidade de arrumar dinheiro vivo para pagar policiais do 13° e do 39° DPs, além de uma Delegacia Seccional da zona norte.

Criminosos removiam o último dígito dos valores como um código para ocultar as quantias reais

Segundo a investigação, os presos utilizavam um código para ocultar as quantias reais, removendo o último dígito dos valores. Assim, eles mencionavam pagamentos de R$ 7,5 mil e R$ 15 mil às delegacias.

Em outra conversa pelo WhatsApp, dessa vez com Cléber Azevedo dos Santos, outra peça central ao lado de Robson, Bruno Fernandes foi ordenado a separar R$ 50 mil para “pagar a polícia”, conforme documento do MPSP.

Bruno Fernandes era responsável por liberar os valores do “banco paralelo”

Procurada pela reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que “apoia integralmente as investigações conduzidas pelo Ministério Público e mantém atuação permanente de cooperação com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no enfrentamento às organizações criminosas”. A pasta ressaltou que não admite qualquer desvio de conduta por parte de seus agentes e que as polícias Civil e Militar atuam, por meio de suas Corregedoria, para assegurar a apuração rigorosa de eventuais irregularidades.

“A SSP não admite qualquer desvio de conduta por parte de seus agentes. Todas as denúncias ou indícios de irregularidades são apurados com rigor e, caso haja comprovação de ilícitos, os responsáveis são responsabilizados nas esferas administrativa e criminal, na forma da lei”, escreveu.

“Precisa pagar os polícia do Deic”

Áudios obtidos pelo Metrópoles também mostram Cléber Azevedo pedindo a liberação de R$ 100 mil aos companheiros do esquema para um “cliente” do crime organizado pagar o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil. Ouça:

Em outra gravação, que teve como destinatário Amjad Ahmad, também apontado como operador financeiro da facção, Cléber fala sobre suposto pedido de pagamento feito por policiais civis do setor de crimes cibernéticos do Deic. Segundo o investigado, os agentes queriam “tomar 300 conto [R$ 300 mil] dele”.

“Oh, meu amigo, como é que cê tá? Tudo bom? Espero que esteja tudo bem. Deixa eu te fazer uma pergunta. Aquela vez que te ajudaram lá no Deic… eu tô com um problema lá. Caí num golpe que eu te falei lá. O cara colocou um dinheiro ruim na minha conta. Bloqueou 11 conto e tô com 5 pau bloqueado. Foi um golpe mesmo. Eu tenho as pessoas tenho tudo. Além de tudo os caras querem indiciar o Robson, e ainda querem tomar 300 conto dele”, afirmou Cléber na gravação — que também não teve a data especificada.

Operação Janus

A Operação Janus, deflagrada na manhã desta terça-feira (21/7), investiga a atuação de operadores financeiros em benefício do PCC. Os alvos são suspeitos de movimentar recursos financeiros, realizar operações de conversão de dinheiro em espécie em transferências bancárias e atuar na ocultação, circulação e disponibilização de valores atribuídos à facção.

Tags: InvestigaçãoPCCpolícia cívilSão Paulo
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Danilo Duarte

Danilo Duarte

Jornalista e assessor de imprensa,

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