Por Ingrid Coutinho – Moradores de Fernando de Noronha denunciam problemas no recadastramento obrigatório de residentes permanentes, realizado pelo Governo de Pernambuco. O procedimento, que deve ser feito pela internet entre 3 de agosto e 3 de setembro de 2026, tem como objetivo atualizar os dados dos moradores e emitir a nova carteira de morador digital.
Segundo os residentes, a plataforma disponibilizada pelo governo apresenta apenas duas opções para comprovar o vínculo com a ilha: trabalhista ou estudantil. A ausência de outras categorias, como a de vínculo tradicional, preocupa famílias que vivem em Fernando de Noronha há décadas e que estão tendo dificuldades para comprovar condição de moradores permanentes.
A situação foi denunciada nas redes sociais por Guilherme Santos, pescador e residente da ilha. Para ele, o modelo adotado no recadastramento desconsidera a história de famílias tradicionais do arquipélago.
“O recadastramento está sendo uma tentativa de apagar e anular nossa história tradicional da ilha”, afirmou.
De acordo com Guilherme, a plataforma não contempla a realidade de famílias que possuem uma relação histórica com Fernando de Noronha. “Onde está o vínculo tradicional? Minha família está aqui há mais de meio século”, questionou.
O recadastramento é considerado fundamental para a permanência dos moradores na ilha. Além da atualização cadastral e da emissão da carteira digital, a regularização também está relacionada às condições diferenciadas destinadas aos residentes permanentes, incluindo tarifas de transporte aéreo.
Os moradores permanentes da ilha não possuem direito automático à propriedade de terra, já que o arquipélago é uma área de preservação ambiental com terras públicas da União e do Estado de Pernambuco.











