EXCLUSIVO, Por Luiz Roberto Marinho — O “rei” do jogo do bicho em Pernambuco, Severino da Silva Bezerra, de 77 anos, nove familiares, incluindo um neto e a ex-mulher, e outras seis pessoas foram denunciados pelo Ministério Público estadual na 12ª Vara Criminal do Recife por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Se condenados, podem ser punidos com penas de reclusão que variam de três a dez anos.
A denúncia é resultado da Operação Placement, deflagrada pela Polícia Civil em 20 de dezembro de 2023 comandada pelo Delegado Paulo Gondim, da 9ª Delegacia Seccional (9ª DESEC). Duas revendedoras de veículos de luxo foram alvos da ação. A JBS, de Saulo Galvão e Solon Filho; e a Sideral Veículos, de José Lindinaldo Guerra e Paulo Henrique Guerra. Os quatro foram alvos da denúncia do MP.
A operação apreendeu na sede da Banca Aliança, um jogo de bicho na Rua da Praia, no bairro de São José, R$ 1,8 milhão em dinheiro vivo e no apartamento de Severino da Silva Bezerra, na Avenida Boa Viagem, R$ 1,2 milhão guardados num cofre.
“A quantia, em espécie, apreendida em sua residência, demonstra que o denunciado também ocultava patrimônio em dinheiro, proveniente da prática de jogo do bicho, optando por mantê-lo em sua residência em vez de lançá-lo no mercado financeiro, pelos moldes tradicionais”, escreveu na denúncia a 27ª Promotoria de Justiça Criminal do Ministério Público de Pernambuco.

A “organização criminosa”, como define o MP, é acusada de lavagem de dinheiro do jogo do bicho pela aquisição de mais de 200 imóveis, alguns caríssimos, como um apartamento de 565m2 na Avenida Boa Viagem comprado à vista por R$ 3 milhões, e de mais de 300 veículos de luxo, boa parte dos quais BMW de vários modelos, em transações que movimentaram mais de R$ 100 milhões em cinco anos.
Diz o MP que o clã usava uma dúzia de empresas, entre transportadoras, uma imobiliária, gráficas, promotora de eventos e até academia de ginástica, para lavagem do dinheiro proveniente do jogo do bicho.
Comprovou-se que o dinheiro movimentado nestas empresas era incompatível com a estrutura financeira delas e que as elevadas transações financeiras do clã contrastavam com suas declarações de imposto de renda.

Segundo o Ministério Público, a família costumava usar, na lavagem de dinheiro, o método conhecido como “smurfing”, quando são feitos vários depósitos bancários, em valores fracionados, para depois juntá-los novamente. “Tal procedimento é utilizado no intuito de diluir a quantia para não levantar suspeitas dos órgãos de investigação, como o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)”, explica o MP.
“É possível observar que os denunciados se associaram de forma estruturalmente ordenada e com divisão de tarefas, ainda que informalmente, para praticar lavagem de dinheiro, com a obtenção, direta e indiretamente, de vantagem financeira ou de outra natureza”, salienta o Ministério Público.
O Outro Lado
Tentamos ouvir, sem sucesso, os envolvidos na denúncia do Ministério Público. O espaço está aberto a manifestações e a reportagem pode ser atualizada a qualquer momento.











