Por Roseann Kennedy, do Estadão – Menos de 24 horas depois de declarar que não participaria do debate presidencial organizado pela Band/Estadão no próximo domingo, o senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro, voltou atrás na decisão. A reviravolta ocorreu após uma reavaliação interna de urgência concluir que o prejuízo político de sua ausência seria consideravelmente maior do que os riscos de estar presente no confronto.
Inicialmente, o núcleo de comunicação temia colocar o candidato no debate por avaliar que qualquer erro ou deslize o deixaria exposto a uma semana inteira de sangria nas redes sociais, municiando a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com recortes negativos. Por essa razão, a estratégia inicial previa participação apenas no debate da TV Globo, já na reta final da eleição, o que daria mais tempo de preparação ao candidato.
Contudo, dois fatores decisivos alteraram a rota da campanha do PL:
Em primeiro lugar, o movimento recente da campanha de Lula nas ruas começou a surtir efeito. Levantamentos internos de tracking realizados por partidos aliados indicam uma leve reação do petista. Embora Flávio Bolsonaro permaneça na liderança com uma vantagem entre três e quatro pontos percentuais, os dados mostraram uma oscilação negativa de até um ponto para o bolsonarista.
Em segundo lugar, prevaleceu no entorno do candidato a leitura de que a exposição no debate não representa um risco real se Flávio mantiver a serenidade. Aliados sustentam que Lula chega ao confronto com a imagem fragilizada, transmitindo mensagens envelhecidas e carregando a postura de quem saiu em desvantagem no primeiro turno. A recomendação do núcleo duro é que Flávio foque no equilíbrio emocional e se apresente como um Bolsonaro moderado — postura considerada suficiente para sair vitorioso da sabatina.

A confirmação rápida da presença de Lula logo após a primeira negativa de Flávio também gerou desgaste imediato, alimentando a narrativa da oposição. O candidato petista chegou a provocar o adversário publicamente: “No domingo, eu estarei no debate da TV Bandeirantes e espero que meu adversário compareça para que possamos mostrar para o povo a diferença entre os nossos projetos”.
Nas redes sociais, o recuo inicial de Flávio provocou forte repercussão negativa, com termos como “fujão”, “medo” e “covarde” dominando os tópicos mais comentados. Diante do impacto e do risco de ter seu púlpito deixado vazio — cena que poderia custar votos valiosos —, Flávio Bolsonaro e sua equipe redefiniram a agenda e sacramentaram a presença do senador.
Para contornar a alteração, Flávio Bolsonaro mudou a narrativa nas redes sociais e publicou um vídeo dizendo: “Lula, como você é previsível. Bastou eu falar que não ia no debate da Band para você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate”.
Com a decisão tomada, Flávio manteve na agenda a participação na manifestação na Avenida Paulista, no domingo, enquanto outro ato de campanha que teria em Minas Gerais no final da tarde de não terá mais sua participação.
Sobre a sua preparação para o debate, segundo interlocutores, será permanente até domingo. Além disso, dois dias antes do evento na Band, o presidenciável também passará por uma preparação para a sabatina da TV Globo, o que deve municiá-lo com dados para o confronto direto com o adversário.










