Por Ricardo Antunes – Documentos vazados e conseguidos com exclusividade pela equipe de Ricardo Antunes, revelam a base do esquema investigado na Operação Locusta e expõem as engrenagens do esquentamento de lagostas e pescados para dar aparência de legalidade aos de origem irregular.
O uso de RGP´s (Registro Geral de Atividade Pesqueira) de terceiros, sejam eles alugados, usados sem permissões ou adquiridos de forma escusa, para conferir cobertura documental ao pescado antes de sua entrada “com ar de legalidade” nos estoques da Prime e posteriormente serem exportados pra os EUA e CHINA. O ciclo denunciado envolveria além de pesca durante defeso, armazenamento clandestino, emissão de notas fiscais fakes e lavagem de estoques.
Os documentos mostram uma operação de “PAGAMENTO REFERENTE AO ALUGUEL DOS RGPs”, contínua, desde 2019, e que pode estar se estendendo até os dias atuais, já pela Frescatto, além de uma lista enorme de embarcações e licenças em todo o nordeste brasileiro controladas pelo grupo para fomentar o esquema.
Em uma negociação submetida a Sérgio Colaferri, funcionário da empresa solicita a autorização para o pagamento dos alugueis de licenças a uma associação de pescadores da Paraíba que disponibilizava através de sua presidente 12 (doze) licenças para peixe e lagosta “para usarmos antes e durante a safra”, inclusive com assinatura dos respectivos mapas de bordo. Sérgio Colaferri ainda barganha o preço, mas dá o aval para o pagamento.
Mais escancarada ainda é uma negociação envolvendo diretamente Eduardo Lobo, presidente da ABIPESCA, ao cobrar o pagamento de uma licença ligada à embarcação na Bahia, onde Lobo destaca que essa era uma “licença pica” por não precisar de rastreador. Minutos depois, explica o porquê: a licença seria “estratégica “, isto porque não haveria perigo de o IBAMA rastrear “se o barco pescou ou não no defeso ou onde” (palavras dele).
A logística denunciada começaria ainda no mar, com a captura atemporal das lagostas, antes de serem “esquentadas” com RGP´s de terceiros e manipulações de mapas de bordo e notas fiscais, que lhe confeririam aparência de origem legal para incorporação aos estoques das empresas antes de serem exportadas, como mostra o esquema gráfico.
É o mesmo Lobo que hoje preside a ABIPESCA. Coincidência? Os documentos da Locusta parecem contar outra história.
Confira imagens:










