Da Redação – O Partido da Causa Operária (PCO) destinou R$ 2,69 milhões do fundo eleitoral, nas eleições municipais de 2024, à contratação de serviços prestados por integrantes da própria legenda. As informações constam na prestação de contas apresentada pelo partido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A utilização dos recursos é alvo de investigação da Polícia Federal, que apura se parte do dinheiro foi desviada ou empregada de maneira irregular. O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, contesta a existência de ilegalidade. “Não está na lei eleitoral, no regulamento do TSE, que você é obrigado a contratar empresas de pessoas que não tenham vinculação partidária”, afirmou.
Ao todo, o PCO recebeu R$ 3,4 milhões do fundo eleitoral em 2024. Entre os pagamentos registrados está o repasse de R$ 442,3 mil à Zaira Produtora de Vídeo e Áudio, empresa de Perciliane Marrara Silva, candidata do partido ao Senado pelo Distrito Federal neste ano. Antes disso, ela concorreu a uma vaga de deputada distrital pelo PCO, em 2012, e ao governo do DF, em 2014.
Outro destinatário dos recursos foi o próprio estabelecimento comercial do partido. A loja de produtos do PCO recebeu R$ 299,8 mil. De acordo com documentos disponíveis na prestação de contas anual da sigla, a Artes e Ofícios foi contratada para fornecer materiais impressos e “outros serviços técnicos”.
Também aparece entre os pagamentos uma gráfica que pertencia ao genro de Rui Costa Pimenta. A JCO Gráfica e Editora recebeu R$ 925,7 mil ao longo de 2024. Conforme revelou a colunista do UOL Natália Portinari, a empresa foi aberta em setembro de 2021 e tinha como sócio único Rafael Dantas Porto Nascimento. Ele faz parte da direção nacional do PCO e é viúvo de Natália Pimenta, filha do presidente da legenda.
Os registros mostram ainda que pelo menos 12 integrantes do PCO aparecem como fornecedores. Desses, oito já foram candidatos pelo partido em eleições anteriores, enquanto alguns também disputarão cargos neste ano. Nos documentos, os pagamentos aparecem descritos apenas como “outros serviços técnico-profissionais”, sem especificação sobre quais atividades foram realizadas.
Confira quem são os integrantes
Juliano Alessander Lopes Barbosa – R$ 239.372
Advogado e integrante da comissão executiva do partido
Marina Dias Soares – R$ 213.780
Candidata a prefeita de Olinda (PE) em 2020
Henrique Áreas de Araújo – R$ 124.125
Tesoureiro do PCO, candidato a deputado federal em 2018, vice-prefeito de São Paulo em 2020 e governador de MG em 2026
Antônio Carlos Silva – R$ 120 mil
Membro da Executiva Nacional do PCO, candidato a prefeito de São Paulo em 2020, deputado federal em 2018, senador em 2022 e vice-presidente da República em 2026
Expedito Carneiro de Mendonça – R$ 60.909
Candidato a deputado distrital em 2018, senador em 2022 e governador do DF em 2026
Izadora Cristina Dias da Silva – R$ 52.727
Candidata a vereadora de São Paulo em 2020, deputada federal em 2022 e governadora de SP em 2026
Arthur Cesconetto Souza – R$ 52.727
Candidato a vereador de Palhoça (SC) em 2020, deputado estadual de SC em 2022 e deputado federal em 2026
Renato Farac Galata – R$ 50 mil
Membro da direção nacional do PCO
Ricardo de Souza Machado – R$ 40.909
Candidato a deputado federal em 2018 e 2022 e suplente de candidato ao Senado em 2026
Maya da Silva Bastos – R$ 35.454
Candidata a vereadora de São Paulo em 2020 e deputada estadual de SP em 2022
Larissa Machado Leonetti – R$ 30 mil
Candidata a vice-prefeita de Campinas em 2022, deputada estadual de SP em 2018 e deputada federal em 2022
Naomi de Almeida Gomes Coura – R$ 7 mil
Candidata a senadora em 2022
Operação da PF
A investigação que envolve os pagamentos também levou a Polícia Federal a realizar uma operação contra Rui Costa Pimenta, que foi alvo de busca e apreensão. A apuração teve início a partir da análise de prestações de contas encaminhadas à Justiça Eleitoral e busca esclarecer um possível desvio de recursos dos fundos partidário e eleitoral.
De acordo com a PF, existem indícios de que empresas e pessoas tenham recebido valores sem apresentar capacidade operacional compatível com os recursos repassados. A corporação também identificou possíveis vínculos, diretos ou indiretos, entre os destinatários dos pagamentos e integrantes da estrutura do partido investigado.
A Polícia Federal afirma que os fatos apurados podem configurar, em tese, os crimes de apropriação indébita eleitoral, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. A corporação ressalta ainda que outras infrações penais podem ser identificadas ao longo do andamento das investigações.
Rui Costa Pimenta criticou a operação e afirmou que a vinculação dos fornecedores ao partido não caracteriza ilegalidade. “A acusação se baseia no fato de que essas empresas são de militantes do PCO. O juiz pode achar estranho, mas não é ilegal”, declarou.
Em nota, o PCO classificou a operação como ilegal e antidemocrática. A legenda também afirmou que a ação representa perseguição política e uma tentativa de intimidar o partido. “Não se trata apenas de um abuso de poder e perseguição flagrantes, trata-se de um ato ridículo e digno de palhaços de circo. É evidente que montaram um show para a imprensa usando o dinheiro público e o aparato policial”.
(Com informações do UOL)










