Da Redação – A deflagração da Operação Check-in pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), nesta terça-feira, aprofunda uma linha de investigação que já vinha sendo desenvolvida desde a Operação Firenze, realizada em junho de 2025, ambas voltadas à apuração de supostas fraudes em contratos públicos de terceirização de mão de obra.
As duas operações possuem um elemento central em comum: a atuação de empresas do setor de terceirização em contratos milionários celebrados com entes públicos, especialmente em administrações vinculadas ao PSB. As investigações apuram suspeitas de direcionamento de licitações, restrição à competitividade, utilização de empresas interligadas e possíveis pagamentos indevidos para obtenção e manutenção de contratos públicos.
Entre as empresas que aparecem no radar das apurações e controvérsias judiciais está alem da Pernambuco Conservadora a Solserv Serviços e Terceirização, cuja atuação também alcançou a Paraíba. No Estado, uma licitação envolvendo a empresa foi anulada por decisão judicial, culminando na invalidação do contrato decorrente do certame, em um dos mais relevantes precedentes recentes sobre contratação de mão de obra terceirizada pela administração pública paraibana.
A presença de empresas ligadas ao mesmo segmento econômico em diferentes contratos públicos nos estados de Pernambuco e Paraíba tem chamado a atenção de órgãos de controle, investigadores e operadores do direito. Documentos e decisões judiciais já apontaram para a necessidade de aprofundamento das apurações sobre possíveis conexões empresariais, financeiras e operacionais entre grupos que atuam no mercado de terceirização de mão de obra.
As recentes investigações federais também reacendem discussões sobre a atuação de empresários e operadores que, segundo informações constantes em procedimentos de controle e apurações em andamento, teriam influência relevante na estruturação e expansão desses contratos públicos ao longo dos últimos anos.
O fato de empresas ligadas ao setor terem alcançado sucessivos contratos em diferentes administrações públicas e em mais de um estado do Nordeste reforça a necessidade de aprofundamento das investigações para identificar eventuais padrões de atuação, relações societárias, fluxos financeiros e mecanismos de obtenção de contratos públicos.
A anulação do contrato da Solserv na Paraíba e as operações conduzidas pela PF e pela CGU em Pernambuco compõem um cenário que, embora ainda esteja sob apuração, revela indícios de práticas que se repetem no mercado de terceirização de mão de obra, setor responsável por movimentar centenas de milhões de reais em recursos públicos.
Com a evolução das investigações, a expectativa é de que novos documentos, quebras de sigilo, análises financeiras e diligências aprofundem o entendimento sobre a extensão da atuação dos grupos empresariais investigados, seus eventuais vínculos e a possível reprodução de práticas semelhantes em diferentes estados.
Os fatos seguem sob investigação dos órgãos competentes, sendo assegurados a todos os citados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.
Importante ressaltar dados que a própria PF e CGU já comprovam em sede de investigação, o aumento abrupto de valores de contratos dessas empresas nas administrações do PSB em Recife e no Governo da Paraíba.












