Blog do Ricardo Antunes
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Blog do Ricardo Antunes
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Home Brasil

Relembre a história de Marita Lorenz, a espiã da CIA que se apaixonou por Fidel Castro

Por Ricardo Antunes
21/09/2019 - 16:01
WhatsAppTweetarCompartilharEnviar por Email

Por El País

A ‘Alemanita’, como o líder cubano batizou à espiã, vive hoje sozinha em Baltimore.  Relembre a reportagem publicada pelo Jornal El Páis, em junho de 2015.: “O destino da ilha caribenha dos cubanos e da Guerra Fria repousava em forma de pílulas envenenadas em um pote de creme rejuvenescedor Pond’s. Foi onde Marita Lorenz as escondeu quando embarcou em Miami, no início dos anos sessenta, com destino a Havana. Sua missão: matar Fidel Castro, seu amante durante oito meses. Era a Mata Hari do Caribe.

Nervosa, quase em pânico, e com medo de que ao chegar ao Aeroporto Internacional José Martí fosse registrada e as pílulas envenenadas encontradas, Lorenz as colocou em um pote de creme facial. “Me sentia incapaz de cumprir a missão que Frank Fiorini [Frank Sturgis, condenado posteriormente no caso Watergate] tinha me passado. Não ia matar Fidel, não falhei, como outras centenas [de pessoas] que tentaram o mesmo depois. Simplesmente era incapaz e não me arrependo”, diz Lorenz hoje.

Mas, mesmo se houvesse decidido ir em frente com a chamada Operação 40, uma conspiração do governo que, de acordo com Lorenz, unia a CIA, o FBI, os exilados cubanos e a máfia, não poderia ter concretizado o plano. Quando estava no quarto do hotel Habana Libre, que costumava dividir com Castro, abriu o pote de creme e percebeu que os comprimidos haviam desmanchado, restando apenas uma massa pastosa da arma que devia acabar com a vida do líder do Movimento 26 de Julho.

“Joguei fora pelo bidê”, relata tranquila. “Não descia pela descarga e tive que empurrá-la até que desapareceu completamente. Então me senti livre”, diz. “Não me arrependo de não ter matado Fidel, pelo contrário: é a decisão da qual mais me orgulho em minha vida.”

Marita Lorenz, em uma praia de Cuba, Em 1959, pouco antes de conhecer a Castro.

Marita Lorenz, em uma praia de Cuba, Em 1959, pouco antes de conhecer a Castro.

Contar a vida de Marita Lorenz é o mesmo que rever grande parte da história do século XX, de sua pior história, a do Holocausto, dos assassinatos políticos e da miséria humana. “Sempre estive destinada a estar sozinha. Não sei por quê”, escreve em sua biografia lançada em 2001, Lieber Fidel – Mein Leben, meine Liebe, mein Verrat (Querido Fidel – Minha Vida, Meu Amor, Minha Traição), ainda não publicada no Brasil. Hoje, com 75 anos, sobrevive com a ajuda do governo em Baltimore (Estados Unidos), em um escuro e minúsculo apartamento cujo banheiro em ruínas não tem nem porta.

Lorenz deveria ter vindo ao mundo com sua irmã gêmea. No entanto, quando sua mãe chegou ao hospital, na cidade alemã de Bremen, para exames, o pastor alemão de um oficial da SS, que a repreendia por ter levado até o fim a gravidez, fruto da relação com um médico judeu, a agrediu e uma das meninas, Ilona, morreu. Marita sobreviveu. Seus pais homenagearam a bebê falecida acrescentando seu nome ao da sobrevivente: Ilona Marita Lorenz. Era 18 de agosto de 1939. Hitler planejava invadir a Polônia.

Assim começa o primeiro capítulo da biografia, que será publicada em espanhol pela editora Península, do grupo Planeta. As primeiras 48 páginas do volume relatam os primeiros 19 anos da Alemanita, como Fidel a apelidou. Na Segunda Guerra Mundial, Lorenz, de mãe americana e pai alemão, acabou internada no campo de concentração de Bergen-Belsen, quando tinha 5 anos. “No quartel onde eu estava, o mesmo onde Anne Frank morreu, nos abraçávamos. Crianças pequenas e adolescentes, para não morrer de frio, embora alguns já estivessem quase mortos”, relata com serenidade, concluindo que, no entanto, chorou até esgotarem todas suas lágrimas.

“Não me arrependo de não ter matado Fidel. É a decisão da minha vida da qual tenho mais orgulho”

Marita Lorenz foi encontrada escondida sob uma cama de madeira, depois que o campo foi libertado pelos britânicos em 15 de abril de 1945. “Quando o motorista da ambulância me retirou do meu esconderijo, eu estava cheia de piolhos, vermes, hematomas e pesava menos de 20 quilos.” Foi uma das 200 crianças que sobreviveram sob o lema: “Não fale, não pense, não respire”.

A senhora Lorenz, que no dia da sua entrevista veste camiseta e duas camisas, uma em cima da outra, e a quem o filho Mark, de 45 anos, arruma o cabelo despenteado para sair melhor nas fotos, define o que aconteceu em 1945 como o fim de um pesadelo e o início de outro. Com 7 anos, Marita foi estuprada um dia depois do Natal de 1946 por um sargento norte-americano, na Alemanha libertada pelos aliados.

MARITA LORENZ, COM O UNIFORME DO MOVIMENTO 26 DE JULIO, EM 1959.

Conheceu Fidel Castro em Havana, em fevereiro de 1959, quando tinha 19 anos e ele, 33. “Me tornei sua amante e fiquei grávida. Em Cuba, fui drogada e forçada ao que classificaram como aborto. Décadas depois fiquei sabendo que meu filho tinha sobrevivido e se chamava Andrés”, diz. “Alguém pode imaginar o que isso significa para uma mãe, de quem levam seu bebê em uma mesa de operação e que sai de Cuba com o ventre vazio?”, se pergunta Lorenz, enquanto acaba de comer uma banana e acaricia seu cachorro, Bufty. Há mais animais por perto, talvez sejam eles que impregnam o lugar com um cheiro forte que gruda na pele: um gato, uma tartaruga e um enorme peixe laranja, que “de vez em quando se joga como em uma missão suicida contra o vidro do aquário”.

Lorenz admite que foi uma mulher em um ambiente masculino, que inventou mentiras para se proteger e também seus filhos e que disse a verdade quando foi conveniente. “Agora quero deixar as coisas claras”, afirma.

A Mata Hari do Caribe já não tem o cabelo extremamente negro. Já não exibe a forma esbelta de seus anos de party girl da máfia de Nova York, de onde saíram alguns de seus amantes. Garante que não carrega arma e já não teme por sua vida.

“Me tornei sua amante e fiquei grávida. Em Cuba, fui drogada e forçada ao que classificaram como um aborto”

Parece deprimida. “Nunca pensei em me matar, embora às vezes tenha desejado morrer. Mas morrer é fácil, o desafio é viver.”

Sentada em frente à televisão com a qual passa seus dias, ao lado de um pôster do filme The Doors, com dedicatória de Oliver Stone, que a contatou para fazer um filme sobre sua vida, a senhora Lorenz conta como foi testemunha da trama para matar John F. Kennedy, em Dallas.

Antes do assassinato houve mais histórias. Fruto de seu relacionamento em Miami com Marcos Pérez Jiménez, cruel ditador venezuelano a quem Franco acabou oferecendo asilo na Espanha, nasceu sua filha Mónica Mercedes. Também não teve sorte. Foi abandonada na selva venezuelana com uma tribo de índios Yanomami e a filha de 14 meses. Queriam que fossem mortas.

A história de Marita Lorenz tem luzes e sombras. “Alguns podem achar que é bastante incrível”, diz. “Mas, já se sabe, a realidade supera a ficção.” No caso de Lorenz, essa realidade é construída com lembranças que, ocasionalmente, se misturam com a história oficial. “Essa que, quando posso lembrá-la, nem sempre é confiável.”

EnviarTweet19Compartilhar30Enviar
Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

Matérias Relacionadas

Fábio Carvalho, dono da VEJA

VEJA rebate acusações feitas após repercussão da reportagem sobre Lula e Vorcaro

Da VEJA - O impacto da reportagem gerou reações da campanha de Lula, do governo federal, da Polícia Federal e de muitos aliados do petismo. Algumas dessas reações...

Antônio Rueda e Fabio Rueda, deputados federais eleitos (Da esq. p/ dir.)

Rueda mostra força, se elege deputado federal e ainda faz o irmão pelo Acre

Por Ricardo Antunes - O presidente da poderosa Federação União Progressista, Antônio Rueda, conseguiu uma façanha: além de ser eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, viu seu irmão,...

O juiz Francisco Tojal fez a denúncia nas redes sociais

Juiz pernambucano denuncia ter sido alvo de xenofobia no Rio Grande do Sul

Por Carol Brito, da Folha de Pernambuco - O juiz Francisco Tojal, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), denunciou nas redes sociais ter sido vítima de xenofobia...

Candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Presidente Lula (PT)

Flávio diz que “Bolsonaro pediu patrocínio e Lula pediu propina” ao Metrópoles

Do Metrópoles - O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, disse nesta sexta-feira (9/10), durante evento no Rio de Janeiro, que “Bolsonaro pediu patrocínio e Lula...

Cartaz promovido pela equipe do marqueteiro Rafael Marroquim

Ex-marqueteiro de João Campos já começa o trabalho sujo para Lula. O mesmo feito contra Raquel

Da Redação - Tão logo o marqueteiro Rafael Marroquim ingressou na campanha do presidente Lula (PT) neste segundo turno, panfletos apócrifos contra o adversário Flávio Bolsonaro (PL) começam...

Carregar Mais
Próximo Artigo

Sergio Moro e Carmem Lúcia vão discutir projeto de abuso de autoridade. Anistia de caixa dois não passa mais.

Por favor, faça login para comentar

Camaragibe

Ipojuca

RELACIONADOS

A advogada Emilly Amaral

Família de trabalhador atropelado e morto por estudante diz que justiça está sendo feita

Evento em Recife promove palestra e workshops para microempreendedores

Agronegócio busca opção de centro para evitar volta do PT em 2022

Blog do Ricardo Antunes

Ricardo Antunes - Debates, polêmicas, notícias exclusivas, entrevistas, análises e vídeos exclusivos.

CATEGORIAS

  • Brasil
  • Ciências
  • Cultura
  • Economia
  • Educação
  • Esportes
  • Eventos
  • Internacional
  • Justiça
  • Opinião
  • Pernambuco
  • Política
  • Sport
  • Tecnologia

ASSUNTOS

Alexandre de Moraes Bolsonarismo Brasília Carnaval Coronavírus corrupção Covid-19 destaque Eleições Eleições 2020 Eleições 2022 Eleições 2026 Esporte EUA Fernando de Noronha Flávio Bolsonaro Futebol Internacional Investigação Jair Bolsonaro João Campos Justiça Lava Jato Marília Arraes Olinda operação Paulo Câmara Pernambuco PL polícia cívil Polícia Federal PSB PSDB PT Raquel Lyra Ricardo Antunes Rio de Janeiro Saúde Senado Sergio Moro STF São Paulo União Brasil Vacina Violência

Termos de Uso, Privacidade e Cookies
© 2016–2026 — Ricardo Antunes — Todos os direitos reservados.
Site administrado por FACTO COMUNICAÇÃO & MARKETING LTDA — CNPJ 40.797.095/0001-30 — Contato: ricardo@ricardoantunes.net

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião

Termos de Uso, Privacidade e Cookies
© 2016–2026 — Ricardo Antunes — Todos os direitos reservados.
Site administrado por FACTO COMUNICAÇÃO & MARKETING LTDA — CNPJ 40.797.095/0001-30 — Contato: ricardo@ricardoantunes.net

Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade.