Por Ricardo Antunes – O ex-prefeito João Campos (PSB) quebrou o silêncio nas últimas semanas ao reaparecer no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo. Desde a derrota fragorosa nas urnas, o ex-prefeito do Recife havia simplesmente desaparecido da vida pública. Sem declarações à imprensa, postagens em redes sociais ou aparições em eventos oficiais, o clima nos bastidores era de especulação sobre o futuro político do socialista, que há pouco tempo era considerado uma das grandes promessas da nova geração.
O jejum de aparições públicas de João, imposto após a derrota para a governadora Raquel Lyra (PSD), chegou ao fim neste final de semana. Longe dos redutos eleitorais onde sofreu seu primeiro revés político, o socialista ressurgiu ao lado da esposa, a deputada federal reeleita Tabata Amaral (PSB-SP), em um cenário de forte apelo espiritual e popular. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a esposa Lu Alckmin também estavam presentes.
Discreto, vestindo roupas comuns e tentando manter um perfil low-profile, Campos chegou a ser reconhecido por fieis e turistas que visitavam a Basílica. A visita, marcada por momentos de recolhimento e oração, soa como um clássico movimento de recomeço e busca por refúgio espiritual, após a turbulência política da eleição em Pernambuco.
Desde que foi defenestrado pelo eleitor pernambucano, João Campos evitou palanques improvisados, declarações oficiais ou qualquer tentativa de transformar a visita em um ato político. Antes, ele só havia sido notado na reunião que o presidente Lula (PT) fez com lideranças nacionais, na virada para o segundo turno. Desde então, o socialista “mergulhou”. O PSB, sigla da qual é presidente nacional, sofreu para bater a cláusula de barreira, elegendo apenas 15 deputados e virando uma legenda nanica no Congresso.
Sem eleger um governador em todo o país, João entregou o pior resultado do partido desde que sua família assumiu o comando nacional, em 1993, com seu bisavô Miguel Arraes (que ficou no comando até sua morte, em 2005), passando por seu pai, Eduardo Campos (2005 a 2014), e pelo aliado e também pernambucano Carlos Siqueira (2014 a 2025).










