Por André Beltrão – A capela do Cemitério de Santo Amaro, no Recife, ficou lotada nesta segunda-feira (12) para a despedida do professor, cineasta, escritor e artista multimídia Jomard Muniz de Britto, o “famigerado JMB”, que morreu aos 89 anos. Amigos, familiares, ex-alunos e nomes ligados ao cinema e à cultura pernambucana compareceram à cerimônia.
Entre os presentes estavam o cineasta Kleber Mendonça Filho, o produtor João Vieira Jr., que leu um manifesto tropicalista, além de Rodrigo Galindo, Anselmo Alves, Abel Menezes, Maria Alice Amorim, Maria Teresa Costa Lima, Paulo e Ana Farache.
Kleber destacou a influência de Jomard sobre o cinema pernambucano, citando obras como Tatuagem, Retratos Fantasmas e A Margem do Rio. Ele lembrou os 35 anos de amizade com o artista e afirmou que Jomard nunca deixou de surpreendê-lo. Rodrigo Galindo ressaltou a alegria do tio e sua defesa da democracia. Já Anselmo Alves o definiu como “o maior transgressor com conteúdo da minha geração”.
Abel Menezes recordou o lado performático e a generosidade de Jomard, que conheceu no Recife nos anos 1960. Maria Alice Amorim destacou a capacidade do artista de conversar com camelôs, comerciantes e trabalhadores, chamando as pessoas pelo nome e sem fazer distinção de classe social.
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) publicou nota de pesar na qual definiu Jomard como uma “figura inquieta e transgressora”. Segundo a instituição, ele construiu uma obra marcada pela “experimentação, pela liberdade criativa e pelo questionamento das convenções”. A Fundarpe também lembrou a exibição, em 2025, de cinco filmes do artista em Super-8, digitalizados e restaurados, durante o festival Janela Internacional de Cinema do Recife.
A governadora Raquel Lyra (PSD) também lamentou a morte do artista. Em publicação, afirmou ter recebido “com grande pesar” a notícia do falecimento e destacou Jomard como uma das principais referências do movimento tropicalista em Pernambuco.
O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), escreveu que Jomard era “sempre ativo e provocador” e dedicou a vida à arte e a fazer do Recife “uma referência de criatividade e pensamento crítico”. Ele também manifestou solidariedade aos familiares e amigos.
Professor do Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Jomard realizou dezenas de filmes e vídeos e foi um dos nomes ligados à efervescência tropicalista em Pernambuco.
Viva Jomard!

















