Por Ricardo Antunes – O advogado João Guilherme de Godoy Ferraz foi um dos alvos da Operação Check-in, deflagrada pela Polícia Federal (PF), no Recife, Jaboatão e Cabo de Santo Agostinho, na manhã desta quarta-feira (2). A suspeita é que ele, que atuou como secretário de Governo e Participação Social da gestão Geraldo Julio na Prefeitura do Recife, tenha recebido propina de uma empresa de terceirização – a Pernambuco Conservadora – contratada pela Prefeitura do Recife no ano de 2020.
Uma mansão no litoral do Sul, na Reserva do Paiva, foi alvo da busca e apreensão. De acordo com fotos divulgadas pela própria Polícia, nas buscas e apreensões em nove endereços foram encontradas pelo menos dezenas de milhares de reais em cofres e gavetas.
Segundo a PF, a investigação foi realizada a partir de achados da Operação Firenze, ocorrida há um ano, em torno de um grupo de três empresas terceirizadas que seriam comandadas pelo ex-deputado estadual Eduardo Porto, pelo seu filho, Eduardo Porto de Barros Júnior, e pelo advogado Thiago Henrique Rangel. Na operação, canhotos de cheques identificaram suposta propina para o ex-secretário da Prefeitura do Recife.
O cartel investigado seria liderado pela Solserv Terceirização e seria composto também pela Pernambuco Conservadora, RC Serviços & Conservação, MA7 Securitizadora.
Uma das empresas do grupo e foco da operação de hoje, a Pernambuco Conservadora, recebeu R$ 25,7 milhões da Prefeitura do Recife em 2020, sendo R$ 17 milhões pagos com recursos do SUS, daí a atuação da Polícia Federal. Do montante, R$ 2,0 milhões foram pagos por contrato entre a empresa e a secretária chefiada por Godoy Ferraz. Na gestão João Campos, a empresa já faturou R$ 125,7 milhões.
João Guilherme Ferraz foi um dos principais articuladores políticos da gestão do PSB no Recife e atuava como principal auxiliar da gestão Geraldo Julio. Na transição para o governo João Campos, saiu da administração direta, mas manteve grande influência na gestão e nos corredores do Tribunal de Contas do Estado.
O ex-secretário também é um dos investigados da Operação Barriga de Aluguel, do MPPE, em torno de um esquema de empreiteiras. De acordo com informações daquele inquérito, Godoy Ferraz teria atuado para contratar as empreiteiras de um dos seus melhores amigos, o empresário Gustavo Muniz, para realizar manutenção predial em praticamente todos os equipamentos públicos da Prefeitura, de escolas a postos de saúde, incluindo o prédio-sede da administração. Mais de R$ 200 milhões foram movimentados em três anos.
O inquérito está trancado por decisão monocrática de Gilmar Mendes a pedido do advogado do diretório nacional do PSB. O caso não foi sorteado, mas foi impetrado direto no gabinete do ministro.
O OUTRO LADO
Nós tentamos falar com o advogado, mas não tivemos sucesso. O espaço está aberto e essa matéria poderá ser atualizada.












