Por Robson Bonin, da Veja – Como um dos maiores ativos em sua trajetória no mundo financeiro, Daniel Vorcaro cultivou uma impressionante teia de relações com autoridades de diversos espectros no país. O dono do Banco Master cooptava poderosos a partir do pagamento de milionárias propinas e festas luxuosas quase sempre animadas por jovens garotas de programa de diferentes cantos do planeta. As provas colhidas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro, preso desde março em Brasília, sob acusação de protagonizar uma das maiores fraudes bancárias da história do país, conversava com líderes partidários de todas as correntes políticas, do PL ao PT, e tinha “irmãos” nos três Poderes da República, graças aos laços formados pela força sedutora do dinheiro. Desde a eclosão do escândalo, Lula, candidato à reeleição, usou o caso para fustigar adversários metidos com o banqueiro, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, flagrado pedindo milhões de reais ao bilionário para supostamente financiar o famoso filme Dark Horse. “Vorcaro não era apenas um ladrão, era um mágico”, disse o petista em uma entrevista recente, acrescentando que a investigação precisa prosseguir, “doa a quem doer”. No meio de um grande clima de degradação moral, para todos os efeitos, o presidente da República estava fora de quaisquer acusações envolvendo Vorcaro.
Não mais. VEJA teve acesso a relatos feitos pelo banqueiro nos quais ele revela ter negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto o pagamento para conseguir acessar os cofres dos fundos de pensão de servidores federais controlados pelo petismo. Segundo conta o banqueiro em um áudio e em documentos obtidos por VEJA, seriam 30 milhões de reais em espécie, pagos por fora ao Instituto Lula, gerenciado pelo diretor e amigo do presidente, Paulo Okamotto, destinados a financiar a produção de um documentário sobre Lula no exterior e mais um valor não revelado pelo banqueiro pago diretamente para o Instituto Lula. Vorcaro juntou detalhes dessa história num anexo que foi levado à PGR. A Procuradoria não levou adiante o caso, com a justificativa de que não haveria provas da história, tendo em vista que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo. A defesa de Vorcaro contra-argumentou, dizendo que o banqueiro teria provas como mensagens de WhatsApp, registros das pessoas que retiraram o dinheiro vivo e a relação de lugares e rotas usadas por operadores nas entregas do dinheiro. A história não foi adiante.
A confissão de Vorcaro envolve outros personagens graúdos do PT. De acordo com o banqueiro, a aproximação com o partido foi arquitetada por seu sócio, o então CEO do Master, Augusto Lima, que contou com o então líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner, para intermediar o primeiro encontro com Vaccari. Os fatos estão registrados num anexo levado à Procuradoria-Geral da República em junho passado — quando a segunda proposta de delação foi descartada. “O meu então sócio, Augusto Lima, através dos caciques do PT da Bahia, se reuniu com João Vaccari Neto. Nesse primeiro encontro ficou aventado que, para que houvessem votos suficientes para o nosso credenciamento junto aos fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Asset e Previ, deveríamos fazer os seguintes adiantamentos: um pagamento por fora, ou seja, por espécie, na ordem de aproximadamente 30 milhões de reais para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula, e pagamento de valores ao Instituto Lula”, diz o banqueiro. O filme a que ele se refere é o documentário Lula, de Oliver Stone, que contou com depoimentos de amigos e aliados do presidente, como o advogado Walfrido Warde.










