Com informações do Diario de Pernambuco – Moradores de Boa Viagem, como a advogada Maria Tereza Monte, de 59 anos, expressaram sua indignação ao ouvirem o som de serras elétricas derrubando árvores centenárias na região. Ela lamentou a perda de quatro árvores saudáveis em apenas uma hora, lembrando de sua ligação com o local desde a infância.
Conheço essas árvores desde a época em que minha avó morava aqui. São árvores centenárias. Em uma hora derrubaram quatro árvores, todas sadias”, afirmou.
A moradora comentou que desceu para tentar entender o que estava acontecendo e ouviu de uma funcionária que as plantas de grande porte serviam de abrigo para “bêbados e drogados”.
Outra residente da região, a cientista Patrícia Marinho, de 58 anos, expressou ao Diario indignação pela situação. Segundo ela, os residentes do entorno não foram ouvidos sobre as mudanças promovidas pelas obras na orla.
” Estou incrédula, é um retrocesso, um desacato ao nosso bem-estar. Como cidadã recifense, estou indignada, consternada por assistir a essa cena deplorável, uma engenheira falando que isso vai ser melhor.
Melhor para quem?”
Além delas, a administradora Jorgeane Meriguette, de 53, mora na região há 9 anos. Ela destacou que o projeto poderia levar em conta a localização das plantas.
” o projeto é bonito, bacana, mas eu acho que o meio ambiente tem que ser preservado. Então, para que tirar árvores centenárias para fazer compensação? Eu acredito que poderia fazer algo bonito, sem tirar árvores centenárias. O dinheiro, sim, poderia ser investido para melhorar a orla, mas não dessa forma, acabando com o meio ambiente”.

Do ponto de vista ambiental
O Diario ouviu o biólogo Maurício Dália. Segundo ele, a espécie das árvores retiradas – Casuarinas – é considerada exótica, o que ecologicamente não tem tanta consequência quanto a retirada de uma espécie nativa.
“ São espécies exóticas, ou seja, não são espécies boas, não fazem bem para nossa região. Pelo que vejo, não tem nada de errado; existe um projeto a <ser executado. As árvores são exóticas e estão impedindo de fazer o projeto e foi solicitada a retirada. Até aqui tá tudo bem”, iniciou.
“Ambientalmente está ok, mas a única coisa que me incomoda neste caso é o referente à sociedade, que a compensação seja localmente e não de acordo com o plano da obra, pois o benefício também seria local pela população que ali já tem uma memória e hábitos estabelecidos”, explicou.
Por fim, ele reforça a importância das iniciativas que levam o meio ambiente em conta acima de outros interesses.
“Recife está distante de outras cidades em iniciativas de pensar mais no meio ambiente, ainda mais sendo uma cidade tão acometida pelos efeitos das mudanças climáticas. É necessário cada vez mais pensarmos em soluções baseadas na natureza, usando a natureza”, acrescenta.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura do Recife afirmou que a retirada das árvores foi “necessária” para a implantação de um mirante na Centralidade 6, na Pracinha de Boa Viagem, dentro da requalificação da Orla de Boa Viagem, o Projeto Orla Parque.
De acordo com as informações repassadas pela gestão municipal, os estudos do Projeto projeto identificaram que a localização de algumas árvores coincide com a área das fundações e das estruturas do mirante, o que inviabiliza a permanência das plantas.
A Prefeitura destacou, ainda, que o Projeto Orla Parque prevê o plantio de 600 árvores em toda a extensão, das quais 456 já foram plantadas. Ainda de acordo com a gestão, a orla passará a contar com 1.182 árvores, já que já existem 582 – o que representa um aumento de mais de 100% na cobertura arbórea.








