Por Vinícius Sales – “A novidade é que nada mais é novo, tudo agora é neon.” Foi com essa frase, carregada de ironia e irreverência, que o filósofo, poeta e cineasta pernambucano Jomard Muniz de Britto respondeu a uma pergunta do nosso editor Ricardo Antunes, durante uma conversa gravada em agosto de 2016. Dez anos depois, o registro ganha um significado especial com a morte do intelectual, nesta segunda-feira (12), aos 89 anos.
Em entrevista ao Portal, Jomard falou sobre as transformações da sociedade, a poesia e os efeitos da internet sobre a produção cultural. Ao ser questionado sobre as novidades daquele momento, respondeu: “Nós estamos vivendo o século do trans. Tudo é transtorno, é transformação”. A declaração refletia o estilo provocador que marcou sua trajetória intelectual.
Questionado se a poesia havia mudado com o avanço da internet, Jomard defendeu seu caráter lúdico. “Lúdica, sempre lúdica, porque o jogo faz parte”, afirmou. Para ele, as novas tecnologias ampliavam as possibilidades de circulação da literatura, permitindo que obras antes limitadas a tiragens de mil exemplares alcançassem um público muito maior. Revelou ainda que continuava escrevendo à mão, mas utilizava uma lan house para divulgar seus textos.
Professor, escritor e cineasta, Jomard construiu uma trajetória marcada pela experimentação artística e pela crítica cultural. Considerado um dos precursores do tropicalismo em Pernambuco, tornou-se uma referência intelectual no estado.
Veja o vídeo









