Do DP – O vereador Luciano Pachêco (MDB), da cidade de Arcoverde, no Sertão, é suspeito de agredir três mulheres após um show de Wesley Safadão no município, no dia 26 de junho de 2025, em um dos eventos locais de São João.
O caso foi registrado pela Polícia Civil do Estado de Pernambuco (PCPE) como lesão corporal e vias de fato, conforme consta no documento. De acordo com os autos do processo, já faz mais de um ano do registro do TCO. Segundo a PCPE, o documento já foi concluído e remetido ao Poder Judiciário.
Ainda conforme os autos, no último mês de maio, o Judiciário abriu vista dos autos à 3ª Promotoria de Justiça de Arcoverde do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). No entanto, o órgão ainda não definiu se apresentará denúncia, irá propor transação penal ou pedirá o arquivamento do caso.
Depoimento
Em depoimentos prestados à polícia, as vítimas, que trabalhavam na produção do evento, detalharam o caso. As identidades das mulheres serão preservadas. Uma das produtoras, de 41 anos, afirmou que viu Luciano nos arredores do camarim do artista após o show, acompanhado de um homem que tentava gravar o interior do local por meio de uma fresta na estrutura.
“A pessoa do Vereador Luciano Pacheco e outras pessoas [..] informaram que queriam tirar as fotos com artista”, diz trecho do documento.
Ela alegou ter avisado que os momentos de foto já tinham encerrado e que o cantor estava de saída, e pediu duas vezes para que a gravação fosse parada, mas que, mesmo assim, o homem continuou. Ela afirmou que tentou bloquear com a mão a fresta, para evitar a captura de imagens, o que deu início à confusão, segundo o relato.
Na ação, Luciano Pachêco teria segurado o braço da produtora. “O vereador ficou bastante agressivo, pegou no braço da declarante, com muita força, apertou e ficou chacoalhando”, consta no depoimento. A vítima teria pedido que ele a soltasse, pois não desrespeitou o vereador, mas ele respondeu gritando que “ninguém sabia quem ele era”, que era “presidente da câmara de vereadores” e “mandava no local”.
À época, Pachêco era presidente da Câmara Municipal. Atualmente, é candidato a deputado federal por Pernambuco nas Eleições Gerais de 2026. Ele também teria ofendido verbalmente a produtora, utilizando palavras de baixo calão, entre elas, “vagabunda”.
Os xingamentos também teriam sido direcionados as outras produtoras. Após as ofensas, ele teria desferido um tapa no braço esquerdo da mulher de 41 anos e empurrado um gradil que atingiu, na barriga, uma outra integrante da produção que passava na hora. Ela tinha 19 anos e estava grávida.
Durante a confusão, a terceira vítima, de 34 anos, também produtora, afirmou que tentou intervir, mas foi impedida pelo homem que acompanhava o vereador. Às autoridades policiais, ela alegou que foi segurada pelo pescoço com um “mata-leão”. Depois disso, Luciano teria partido para cima dela e a empurrado. De acordo com a descrição, as três vítimas foram levadas por seguranças para outro local, mas ele não parou com as investidas.
O político teria saído e posteriormente retornado ao backstage, acompanhado de outros dois homens, um deles armado. Ele teria também desferido socos e danificado uma das paredes do local, enquanto procurava pelas vítimas. Na ocasião, outras duas pessoas teriam sido agredidas fisicamente pelo vereador. No entanto, não há informações sobre comparecimento delas à polícia para prestar queixa.
Exame de corpo de delito
A agressão contra a produtora que afirmou que teve o braço segurado foi confirmada por Laudo de Perícia Traumatológica do IML. O exame constatou um inchaço de cerca de oito centímetros no antebraço esquerdo, “decorrente de uma pancada forte”, detalhou o documento. Para a vítima que disse ter sido imobilizada pelo pescoço, o exame comprovou escoriações na mão esquerda.
A terceira mulher, que era gestante e foi atingida pelo gradil, não apresentou lesões físicas aparentes nos exames. Segundo o laudo, ela afirmou que sentiu menos movimentação do feto após a pancada na barriga. No documento, a médica perita anotou uma orientação de procurar uma maternidade para verificar vitalidade fetal. Não há informações posteriores sobre como ficou a saúde do bebê.
O MPPE afirmou que o procedimento referente ao caso está sob sigilo, o que não torna possível o repasse de informações neste momento.
O que diz o vereador Luciano Pachêco
O vereador Luciano Pachêco, afirmou que nunca foi notificado ou intimado pelas autoridades e que não tinha conhecimento oficial da tramitação do TCO. O parlamentar declarou ser alvo de “perseguição e motivação política”.












