Blog do Ricardo Antunes
  • Opinião
  • Brasil
  • Política
  • Lei & Ordem
  • Pernambuco
  • Economia
  • Educação
  • Ciências
  • Esportes
  • Cultura
  • Eventos
  • Tecnologia
Sem Resultados
Ver todos os resultados
APOIE
Blog do Ricardo Antunes
  • Opinião
  • Brasil
  • Política
  • Lei & Ordem
  • Pernambuco
  • Economia
  • Educação
  • Ciências
  • Esportes
  • Cultura
  • Eventos
  • Tecnologia
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Blog do Ricardo Antunes
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Quem Somos
  • Quem é Ricardo Antunes
  • Apoie
  • Newsletter
  • Arquivo
  • Fale Conosco
  • Termos de Uso
Home Opinião

“A morte do homem cordial”. O último artigo de Eduardo Portela que se foi hoje. Recomendo

Ricardo Antunes Por Ricardo Antunes
21/09/2019 - 16:06
A A
CompartilharTweetarWhatsApp

Eduardo Portella,

A aliança de modernismo e ufanismo alimentou, desde cedo, a ilusão do brasileiro como protótipo do homem cordial. Faz parte daquelas fantasias que impulsionaram a virada do século XX. A efusão da natureza, a força do sertanejo e a cordialidade inata são capítulos de uma história precipitadamente edificante. Foi surpreendida por algumas curvas do caminho, quando certos desvios inesperados, a urbanização avassaladora, a irrupção das massas e a privatização da esfera pública agravaram o quadro insólito.

A percepção aguda de Mário de Andrade já havia identificado, na sua “Pauliceia desvairada”, sinais evidentes de um desvario que se expandiu por todo o território nacional, de Porto Alegre a Manaus.

A máquina de trituração da metrópole avançou sem pedir nem aceitar licença de ninguém. O tripé republicano, com mecanismo de acesso controvertido, se visivelmente abalado, em meio a licitações ilícitas, negócios escusos conduzidos pelas municipalidades de várias geografias. A representação política perde legitimidade e, consequentemente, representatividade.

O poeta Carlos Drummond de Andrade certamente perguntaria: E agora, José?

A própria ideia de cordialidade já era um resíduo essencialista, que os pensadores plantados teriam dificuldades de absorver. Porque nenhum homem é ou deixa de ser cordial fora do seu horizonte existencial. Ou seja, indiferente à sua circunstância (Ortega), à sua situação (Sartre), aos angustiantes sinais do ser no tempo (Heidegger).

Assim sendo, o homem cordial brasileiro levantou voo sem gasolina no tanque, e deu no que deu. Alguma coisa parecida com o trajeto da Chapecoense.

O capítulo da escravidão nunca foi um exemplo de cordialidade. E fomos os últimos na América Latina a se livrar dessa praga.

Os índices de violência hoje, segundo agências idôneas, ultrapassam aqueles que têm lugar em países em estado de guerra.

As taxas de homicídio, praticados dentro e fora dos presídios, nos conferem medalha de ouro (falso) na olimpíada da criminalidade.

A junção de violência social e violência política denuncia o quadro de calamidade, que começa a ser institucionalizado em todo o país.

A privatização do público é a negação da cordialidade.

Grande parte do que vem acontecendo se deve ao fato de que a educação e a cultura não foram chamadas a participar do encaminhamento dessas questões. Duas entidades estruturalmente solidárias, a serem pensadas conjugadamente, no polo oposto do que supõem as corporações nervosas.

A educação é, em princípio, a cultura escolarizada. Enquanto a cultura é a educação transescolar, mais virtuosa que virtual. Ambas têm de conviver hoje com a internacionalização e com a internetização.

Não são da competência apenas de uma repartição ou de um ministério. São ambas, ou uma só, políticas de Estado. Por essas e outras razões, tem faltado cultura à educação e educação à cultura. E, na falta de ambas, facilita-se ou contribui-se para a proliferação da violência e da criminalidade.

O homem cordial já se encontrava respirando por aparelhos. Ultimamente, ao que tudo indica, esses aparelhos foram desligados.

É claro que tudo tem a ver com a prática da justiça social. Quando aumenta a desigualdade, diminui a cordialidade.

Daí a necessidade de uma reforma política, ampla, geral e irrestrita, a ser conduzida jamais pelos protagonistas do caos, e sim pelo mais íntegro diálogo societário.

Eduardo Portella foi escritor , professor da UFRJ, ministro dos Governos JK e Figueiredo e membro da Academia Brasileira de Letras ( 1932-2017)

Violência urbana (Foto: Arquivo Google)

Compartilhar30Tweet19Enviar
Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

Matérias relacionadas

Por que a ida de Lula ao Galo da Madrugada está deixando aliados aperreados

Galo da Madrugada, em Recife (PE)

Por Lauro Jardim, do O Globo - A confirmação da ida de Lula ao desfile do Galo da Madrugada, no sábado de Carnaval, deixou aliados em Recife aperreados,...

Leia MaisDetails

Campos comemora “round” contra Raquel em São Paulo

O prefeito João Campos (PSB) e sua noiva, a deputada federal Tabata Amaral

Por Ricardo Antunes - Vencedor do “round” político da semana, colocou Raquel Lyra nas cordas duas vezes, o prefeito João Campos (PSB) pegou o avião e foi a...

Leia MaisDetails

MPPE diz que não foi intimado da decisão de Gilmar “trancando” investigação

O MPPE aguarda o acesso aos autos processuais

Por André Beltrão - O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) soltou uma nota afirmando que não foi intimado e nem teve acesso á decisão do ministro Gilmar Mendes...

Leia MaisDetails

STF determina arquivamento de investigação contra secretárias de João Campos

Gilmar Mendes, ministro do STF

Do G1 - Menos de uma semana após a denúncia de que a Polícia Civil estaria monitorando, de forma supostamente ilegal, o chefe de Articulação Política e Social...

Leia MaisDetails

Campos diz que STF vai investigar “polícia paralela montada pelo governo de Pernambuco

O prefeito de Recife, João Campos (PSB)

Do Blog Dantas Barreto - “A Polícia Federal agora está no caso. Decisão Supremo Tribunal Federal chega para fazer justiça. A PF agora está autorizada a investigar a...

Leia MaisDetails
Próximo Artigo

Temos 200 mil presos provisórios mas precedente aberto pode soltar presos poderosos da lava jato

Por favor, faça login para comentar

Governo PE

Empetur

Suape

Ipojuca

São Lourenço da Mata

Governo PE

CATEGORIAS

  • Brasil
  • Ciências
  • Cultura
  • Economia
  • Educação
  • Esportes
  • Eventos
  • Internacional
  • Lei & Ordem
  • Opinião
  • Pernambuco
  • Política
  • Tecnologia
Assine nossa lista para receber atualizações diárias diretamente em sua caixa de entrada!

Blog do Ricardo Antunes

Ricardo Antunes - Debates, polêmicas, notícias exclusivas, entrevistas, análises e vídeos exclusivos.

CATEGORIAS

  • Brasil
  • Ciências
  • Cultura
  • Economia
  • Educação
  • Esportes
  • Eventos
  • Internacional
  • Lei & Ordem
  • Opinião
  • Pernambuco
  • Política
  • Tecnologia

ASSUNTOS

Alexandre de Moraes Bolsonarismo Brasília Carnaval Coronavírus corrupção Covid-19 DEM Donald Trump Eleições Eleições 2020 Eleições 2022 Esporte EUA Fake News Fernando de Noronha Futebol Internacional Investigação Jair Bolsonaro João Campos Justiça Lava Jato Marília Arraes MDB Olinda operação Paulo Câmara PL polícia cívil Polícia Federal PSB PSDB PT Raquel Lyra Ricardo Antunes Rio de Janeiro Saúde Senado Sergio Moro STF São Paulo União Brasil Vacina Violência

© 2024 Ricardo Antunes - Todos Direitos Reservados

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Opinião
  • Brasil
  • Política
  • Lei & Ordem
  • Pernambuco
  • Economia
  • Educação
  • Ciências
  • Esportes
  • Cultura
  • Eventos
  • Tecnologia

© 2024 Ricardo Antunes - Todos Direitos Reservados

Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade.
Are you sure want to unlock this post?
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?