Por André Beltrão – Desde a reeleição do presidente Lula (PT) para o quarto mandato, em 25 de outubro, começaram as especulações sobre o futuro ministério. Entre os nomes de pernambucanos, o do deputado federal reeleito Sílvio Costa Filho (Republicanos), começou a chamar atenção em Brasília, devido à estranheza da movimentação e o que ela de fato acalentaria.
Silvinho tem seu nome cogitado para a Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável pelo relacionamento do Governo com o Congresso Nacional e os partidos políticos. Por ela passaram nomes petistas da estirpe de Alexandre Padilha (atual titular da Saúde), Gleisi Hoffman (deputada federal e ex-presidente nacional do PT) e o atual ocupante José Guimarães (ex-lider do governo na Câmara Federal de 2023 a 2026). No passado, outros figurões que ocuparam foram os ex-governadores Jaques Wagner e Tarso Genro, e o ex-presidente da sigla petista Ricardo Berzoini.
Por ser uma pasta tão estratégica, gerou desconfiança o fato de poder ser entregue a um membro do Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do presidente da Câmara, Hugo Motta, além de ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial.
Apesar de reeleito para o terceiro mandato em Brasília, ser líder da Maioria na Câmara e de ter sido ministro de Portos e Aeroportos por quase três anos, Silvinho não é visto com estatura para o cargo. Dissidente no próprio partido, ele não é reconhecido pelo poder de articulação para as votações importantes que o governo precisará e que terá pela frente nos próximos quatro anos. Além disso, o suplente imediato de Silvinho, Bispo Osséssio, chegou a votar em Jair Bolsonaro em 2022, o que aumenta os pontos negativos.
Caso se confirme, Sílvio seria o segundo pernambucano a ocupar o ministério, criado em 2005 no primeiro governo Lula. Entre 2007 e 2009, o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, respondeu pelas Relações Institucionais e, graças a seu traquejo, deu ao governo petista uma das fases mais tranquilas de sua história. Pelo bom desempenho, acabou agraciado com uma indicação pessoal do presidente para o cobiçado posto de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Até esse comparativo pesa contra Silvinho, que não tem o trânsito que José Múcio, um então parlamentar de cinco mandatos, tinha em Brasília na ocasião. Embora uma caneta na mão possa mudar as visões sobre um político, a escolha ainda é vista com desconfiança. Resta aguardar se será mesmo feita.












