Da Folha de S.Paulo – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou, em entrevista ao New York Times divulgada nesta quinta-feira (5), ter recebido ajuda de algum governo na fuga aos Estados Unidos depois de ter perdido o segundo turno das eleições presidenciais para Lula (PT).
Flávio afirmou ter realizado a viagem por conta própria. “Fui eu quem fez tudo”, disse ao New York Times. “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”.
Ele disse que não revelaria segredos sobre como fugiu. “Como cheguei até aqui”, afirmou, “levarei isso para o túmulo comigo”.
O político disse que o plano foi decidido espontaneamente com a esposa e que amigos no exterior não extrapolaram o papel de “torcida”. “Pode ter havido torcida, mas nada além disso”.
Flávio chegou aos Estados Unidos no dia 28 de outubro, depois de perder as eleições no Brasil, questionar o resultado e receber ordem para entrega de passaportes devido a uma investigação que trata de suspeitas de lavagem de dinheiro junto ao advogado e seu amigo Willer Tomaz.
Na chegada aos EUA, ele divulgou uma carta golpista na qual disse ser o “verdadeiro presidente” do Brasil. Depois, mudou o termo para “líder”, mas manteve o tom golpista.
Os jornais americanos NYT e Wall Street Journal noticiaram na semana passada que Flávio voou em um jato particular providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca.
Na Argentina, o jornal El Clarín disse que Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, esteve em Porto Iguaçu, a partir de onde Flávio fugiu, e monitorou a operação de fuga desde o início.
Na entrevista ao NYT, Flávio também afirmou esperar que a estadia com a família no exterior seja temporária. “Preciso seguir em frente com a minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”, disse.
Segundo ele, o objetivo é concorrer em novas eleições no Brasil. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente.”
Ao jornal norte-americano ele alegou ser inocente de crimes de lavagem de dinheiro e corrupção —hipóteses levantadas contra ele em duas investigações das quais é alvo. Ele repetiu o discurso de perseguição e disse que, se permanecesse no país, o desfecho seria a prisão.
Ele também voltou a reverberar, sem provas, alegações de fraude nas urnas eletrônicas no Brasil e disse que Trump “não tomou partido, o que é a coisa certa a fazer”. Depois do resultado, o presidente dos Estados Unidos afirmou, sem provas, que a eleição parecia ter sido fraudada.
Segundo o jornal, pessoas ligadas a Flávio estão esperançosas de encontrar o presidente Trump na CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora) em Mar-a-Lago, mesmo depois de Trump indicar que não tem planos de encontrar com o político brasileiro.
Flávio também disse pretender contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça ter poucas chances de sucesso. De acordo com a publicação, o senador brasileiro se esquivou de dizer se vai tentar pressionar o governo norte-americano para que faça novas ações contra o Brasil, a exemplo do tarifaço.










