Por Nicolas Vieira – Um vídeo de apenas 61 segundos pode abrir um novo e explosivo capítulo da Operação Locusta. Gravadas em 28 de agosto de 2024, as imagens mostram dezenas de caudas de lagosta sendo recebidas e classificadas nas instalações da Prime Seafood, uma das maiores exportadoras de lagostas do país. O problema está no que aparece no meio delas.
Logo na primeira “basqueta”, pelo menos cinco lagostas carregadas de ovas são facilmente identificadas pela forte coloração alaranjada. Na sequência aparecem outras e ao final, mais caudas ovadas são despejadas sobre uma mesa de inox.
E a cena mais pesada vem aos 59 segundos: um grande amontoado de ovas já retiradas das lagostas aparece acumulado no canto da mesa. De acordo com nossas fontes direto da linha de produção, a Prime tem tal prática como rito comum, e fornecem escovas tipo multiuso distribuídas para efetivarem a limpeza.
Já outra fonte, também da produção, informou que foi tolhida, e exigido que apagasse postagem de foto no seu Instagram pessoal pelo próprio CEO da empresa, Eduardo Lobo, pois ao fundo da foto tirada câmara de recepção da empresa apareciam lagostas ovadas.
A legislação é cristalina e proíbe a retenção, o desembarque e a comercialização de lagostas ovadas. Se capturada acidentalmente, a fêmea deve ser imediatamente devolvida ao mar, viva e sem ferimentos. (art. 13 da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 11/2024)
A Lei de Crimes Ambientais também alcança quem transporta, comercializa, beneficia ou industrializa pescado proveniente de pesca proibida. O vídeo não permite saber quantas passaram pela Prime naquele dia, nem naquele ano, mas a pergunta que fica é: quantas outras passaram por ali ao longo da vida da empresa, quando ninguém estava filmando?










